Opinião

Em nome da equidade!

Segundo a UIT (União Internacional de Telecomunicações), estima-se que, no Mundo, existam mais de 3,5 mil milhões de utilizadores de Internet, um valor 600% mais elevado do que o registado no início deste século mas que, ainda assim, representa menos de metade da população mundial (48%). Ao mesmo tempo, na Europa são 79,6% os utilizadores de Internet e em África 21,8%.

Estas diferenças não se verificam apenas quando falamos de regiões (ou pessoas) mais ou menos desfavorecidas. Em termos de faixas etárias, as assimetrias são, igualmente, bastante vincadas. Em Portugal também! Segundo o INE, 73,8% dos portugueses entre os 16 e os 74 anos são utilizadores de Internet. Enquanto entre 16 e 24 anos são 99%, entre os 65 e os 74 anos, o valor situa-se nos 31%.

Ora, numa altura em que a evolução tecnológica tem passado também pela diversificação e generalização da utilização da Internet (no acesso a serviços públicos, a serviços de saúde, ao lazer, à cultura, entre outras), não é aceitável que uma significativa franja da população fique à margem dos benefícios que a tecnologia e o acesso à Internet proporcionam. Esta questão deve obrigar as organizações, nomeadamente as que prestam serviços públicos, a encontrarem formas que permitam aos mais velhos participarem nesta transformação digital acelerada em que nos encontramos.

No Hospital de Ovar, onde estamos a executar um projeto ambicioso de desmaterilização de registos e processos (HOSP: Hospital de Ovar sem Papel), a questão do acesso é absolutamente crucial. Ou seja, tivemos de encontrar formas de proporcionar aos não utilizadores de Internet os benefícios da utilização das TIC, da Internet e das ferramentas associadas ao SNS (por exemplo, receitas sem papel totalmente desmaterializadas ou acesso ao Portal do SNS). No nosso caso, criámos uma equipa, formada pelas assistentes sociais da nossa instituição, que apoia os utentes no acesso a estas tecnologias, ainda que, em grande parte dos casos, de forma assistida mas igualmente entusiasmada.

É, de facto, um desafio enorme para as organizações públicas continuarem este ímpeto de transformação digital e modernização, mas com a preocupação de evitarem a exclusão de pessoas e de promoverem o acesso a todos os cidadãos. Em nome da equidade, fica o nosso contributo!

Existe um desafio enorme para as organizações públicas continuarem o ímpeto de transformação digital e modernização, mas com a preocupação de evitarem a exclusão de pessoas e de promoverem o acesso a todos os cidadãos

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PRES. CONSELHO DIRETIVO DO HOSPITAL DE OVAR

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