Opinião

Envelhecimento em Portugal. Redes e ventos de mudança

Envelhecimento em Portugal. Redes e ventos de mudança

O aumento da esperança de vida não tem sido acompanhado por melhoria equivalente na saúde dos cidadãos nos últimos anos da sua vida.

Vivemos mais anos, mas muito do tempo de vida é passado com limitação funcional provocada por diversas patologias crónicas, fragilidade e saúde precária.

É urgente mudar o perfil de saúde dos idosos apostando na informação em saúde e na promoção de estilos de vida saudável. Foi essa a motivação que esteve na origem da criação do Ageing@Coimbra, o primeiro Centro de Referência Europeu para o Envelhecimento Ativo e Saudável, em Portugal, e da Rede Portuguesa de Envelhecimento Ativo e Saudável (RePEnSA), recentemente lançada.

A rede RePEnSA entende que é urgente promover a literacia em saúde e estimular a adoção de estilos de vida saudável, ao longo de toda a vida. O envelhecimento não começa aos 65 anos. É um processo contínuo, presente em todas as fases da nossa vida, pelo que se torna crucial promover uma relação saudável entre o cérebro, a mente, o nosso corpo e todo ambiente que nos rodeia.

Os cuidados oferecidos às pessoas idosas devem ser profundamente RePEnSAdos. A pandemia colocou em evidência a falta de integração de cuidados em diversas áreas da saúde, a desadequação das infraestruturas residenciais para seniores e tantas outras fragilidades que é urgente corrigir. Os idosos do futuro deverão ter mais oportunidades para permanecer na sua residência e permanecerem integrados na sociedade. É fundamental oferecer novos serviços de apoio domiciliar e equipar as casas com serviços e tecnologias que apoiem a vida autónoma. Podemos RePEnSAr os lares de idosos e investir em residências comunitárias, nas quais os cidadãos revejam a natural continuidade das suas residências mas protegidos pela responsabilidade partilhada da comunidade. É necessário oferecer cuidados integrados centrados no cidadão, com especificidades pensadas para lidar com as fragilidades física, cognitiva, psicossocial, etc.

Em 2030, muitos dos novos velhos terão outras necessidades. Seremos cada vez mais velhos e o número de jovens para apoiar a população envelhecida tende a diminuir.

É urgente pensar o envelhecimento. É urgente preparar o futuro!

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*Coordenador da Ageing@Coimbra-Fac. de Medicina da UCoimbra; cofundador da rede RePEnSA

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