Opinião

Estado de emergência, versão 2021

Estado de emergência, versão 2021

Atingimos níveis brutais de casos, com pressão inigualável sobre o SNS. Ainda respondemos às necessidades urgentes, mas estamos a comprometer a atividade programada, o que terá consequências a médio e longo prazo.

O confinamento é inevitável e sabíamos que, quanto mais tardio, mais forte seria a travagem até um nível sustentável de resposta.

Toda a medida de confinamento, eficaz na redução de novos casos, de doentes internados e da mortalidade, tem consequências económicas e sociais. Na decisão de manter abertas as escolas e as visitas aos lares, pesou a última.

As escolas têm, de facto, gerado poucos surtos. No entanto, eles continuam a ocorrer entre jovens no contexto periescolar. São frequentes momentos de interação social, facilitados pela ida à escola, que possibilitam a transmissão (chegada e saída da escola, hora da refeição, intervalos das aulas, períodos de estudo ou de confraternização). Há também relatos de escolas seguras à custa de crianças com cobertores, a tiritar de frio. A escola deve ser confortável e segura e os cuidados devem ser mantidos também fora dela.

É conhecido o isolamento a que os idosos nos lares foram sujeitos em 2020 e as suas consequências, mas também o risco de transmissão e de mortalidade nesse contexto. Os idosos têm direito a contactar com a família e os amigos, mas em segurança, com visitas agendadas; feitas com distância, higienização e máscara; e suspensas perante qualquer sintoma suspeito ou história de exposição a doente com covid-19.

Foram agravadas as medidas do estado de emergência. Ao contrário do primeiro confinamento, mantemos as escolas abertas e as visitas aos lares. Estejamos mais atentos, mais cuidadosos, de forma a garantirmos a continuidade destas exceções.

*Pneumologista

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