Opinião

Este país não é para jovens?

Este país não é para jovens?

Na edição de ontem do "Jornal de Notícias" é traçado um panorama preocupante sobre o envelhecimento populacional em Portugal. A sustentabilidade do país, a todos os níveis, não se compadece com esta situação.

O diagnóstico está feito e os alertas soam há vários anos. A solidariedade intergeracional que ambicionamos será comprometida se não conseguirmos inverter rapidamente e de forma estruturada esta tendência demográfica.

Em particular, a região Norte parece estar a falhar gravemente na sua capacidade de rejuvenescimento. Este problema exige múltiplas respostas, mas parece-me que devemos saber aproveitar melhor a âncora que representam as universidades e politécnicos, que atraem milhares de jovens que precisam de encontrar na região motivos para se fixarem, desenvolverem a sua atividade profissional e, em muitos casos, empresarial.

Rejuvenescer a população implica, em primeira linha, garantir que existe emprego para os jovens, adequado ao seu nível de qualificação, e respostas que incentivem e facilitem o empreendedorismo qualificado.

A região precisa urgentemente de desenvolver a sua oferta a jusante do ecossistema de formação profissional e académica, criando infraestruturas de investigação e desenvolvimento de grande porte que, por sua vez, sejam o sustentáculo de uma atividade económica diversificada.

Mais do que debate alargado e de manifestação de intenções, precisamos por uma vez de ação, de ousadia, de ambição. De pragmatismo que una o Governo, as autarquias, a academia, as empresas, num objetivo comum de criação de novas infraestruturas que catalisem a transformação económica, integrando-a nas oportunidades que as transições digital e climática estão a trazer.

A região Norte pode e deve inverter um longo ciclo de declínio económico e social que está a culminar num declínio demográfico. Não há que ter medo das palavras: temos falhado a nossa responsabilidade com os mais jovens de lhes garantirmos as oportunidades de que necessitam. É certo que esta responsabilidade é reconhecida e nos preocupa a todos. Muito tem sido feito em termos de políticas e de projetos na área da juventude. Mas precisamos de escala, de investimento articulado de muito maior dimensão, de orientação estrutural.

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Estamos no início de uma nova fase de investimentos públicos. É este o momento de marcarmos a região com uma dinâmica de inovação, de reindustrialização e de crescimento económico que resolva, também, o problema demográfico.

Está nas nossas mãos!

* Presidente da Câmara de Matosinhos

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