Opinião

Faça a sua parte

Hoje assinala-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, criado pela ONU em 1999.

É crescente o empenho de estados e associações de defesa dos direitos das mulheres pela erradicação da violência física, psicológica, sexual, moral e patrimonial que lhes é imposta.

Recentemente, Portugal subscreveu a Declaração de Dublin, destinada a reforçar a Convenção de Istambul sobre prevenção e combate à violência contra as mulheres, mediante a inclusão de homens e rapazes nas estratégias a adotar e ainda pela introdução da matéria em todos os níveis de ensino.

PUB

Apesar das políticas públicas instituídas, a violência contra as mulheres quase não tem diminuído. Segundo a CIG e a UMAR, em 2022, em Portugal, houve 22 mulheres vítimas de homicídio em contexto de violência doméstica, sendo os autores exclusivamente homens; os crimes são cometidos em relação atual de intimidade ou no fim desta. São vidas das nossas vizinhas, colegas de trabalho, amigas, irmãs, filhas e mães, brutalmente terminadas pelos homens que deveriam respeitá-las como iguais.

A luta pelo fim da violência contra as mulheres é coletiva, ainda e sempre procurando a mudança da estrutura social que perpetua a agressão, incluindo através da formação de profissionais no sistema de justiça criminal e de família e menores, para eficaz proteção das vítimas.

Porém, cada um e uma de nós deve iniciar já a sua transformação, em vez de esperar que as gerações futuras resolvam o problema e que acabem com o sistema que violenta as mulheres de tantas formas há tanto tempo.

Perguntemo-nos: confronto quem faz piadas machistas ou sorrio, reputando-as de meras brincadeiras? Denuncio às autoridades o caso da colega que recebe um salário inferior pelo mesmo trabalho que faz um homem ou ignoro essa injustiça? Impeço o amigo de lançar um piropo a uma desconhecida que passa ou nada digo, por ser só um jogo de palavras? Indigno-me perante o silenciamento da colega que expõe uma situação de assédio que sofreu no trabalho ou nada faço, para não prejudicar o meu emprego? Intervenho e chamo as autoridades quando ouço claros sinais de violência na casa dos vizinhos ou apaziguo a consciência, pensando que será só mais uma discussão? Acredito na mulher que denuncia perseguição, agressão ou abuso ou penso que será exagero ou mal-entendido o que me relata?

Se a resposta é sempre a segunda opção, é altura de fazer a sua parte. Pelas mulheres e pelo futuro, agora.

*Secretária do Conselho Fiscal da Associação das Juízas Portuguesas

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG