Opinião

Fernando Gomes muito grande

Fernando Gomes muito grande

Há 20 anos, quando o Atlético de Madrid estava mergulhado na 2.ª Divisão espanhola e falhou o objetivo de subir ao escalão principal, o clube lançou um anúncio publicitário para galvanizar os adeptos mais descrentes. Uma criança no banco detrás de um automóvel desafiava a atenção do pai com uma pergunta que tinha tanto de ingénua como de provocatória: "Papá, porque somos do Atleti?". O pai ficou desarmado, engoliu em seco e olhou pelo espelho retrovisor até o momento singular ser quebrado pelo slogan: "Não é fácil de explicar, mas é algo muito, muito grande".

Quantas vezes já nos interrogamos porque somos de determinado clube e não de outro. Basta mergulharmos na infância para percebermos que fomos influenciados por quem ganhava mais vezes, pelos nossos pais ou pela proximidade geográfica da cidade onde nascemos. Mas depois há outros fatores maiores. Há jogadores que pela sua grandeza, pela forma como são geniais no campo, pelos golos, pela raça como os festejam, pela intensidade como sentem o clube em todos os momentos, esses jogadores raros e intemporais, são únicos e capazes de influenciar as pessoas a serem do clube que eles representam.

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Muitos adeptos do F. C. Porto foram influenciados pelos golos, a arte, a subtileza, a grandeza, a genialidade e o sentimento de Fernando Gomes, se calhar, o jogador mais marcante da história recente do clube, o melhor marcador de sempre dos dragões - 355 golos em 13 épocas - , e que na última semana deixou um enorme rasto de saudade e vazio, depois de combater uma doença agressiva sem nenhum ar de cobardia. Bibota, como era conhecido, teve esse dom, de ser maior do que o próprio F. C. Porto em muitos jogos. Isso "não é fácil de explicar, mas é algo muito, muito grande".

*Editor

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