Opinião

Fim de carreira, o assobio do abismo

Fim de carreira, o assobio do abismo

O jogador de futebol concebe uma carreira desportiva desde a infância, mas mesmo fazendo o que mais gosta, a dado momento, a disciplina profissional obriga à privação e desistência de outras atividades, a devoção prestada ilumina a vida dos desesperados, eleva o ego dos ricos e distrai o povo dos pecados governamentais, o futebol é o grande espetáculo mundial que tem como atrativo principal os jogadores, os verdadeiros artistas.

O que seria do futebol sem jogadores, do circo sem palhaços ou do Coliseu de Roma sem os gladiadores? Haveria um buraco negro apenas, uma visão quimérica e utópica.

Todos saboreiam o mel destes talentos, adeptos, clubes, empresários, televisões, patrocinadores e até políticos, enquanto a bola rola, todos são saciados, o jogador é espremido para benefício de terceiros.

São utilizados como moeda de troca, arma de arremesso, e até como escudo para lutas que não são da sua incumbência, no final de tanto abuso são esquecidos pelo seu grande amor, o futebol. Com seriedade e fundamento, eu questiono!? Mas que enxovalho vem a ser este? Os reis tornam-se pedintes e os pedintes vivem uma vida de rei? O Sindicato dos Jogadores existe para quê?

O jogador de futebol termina a carreira aos 35 anos de uma forma geral, até à sua reforma ele não terá mais vencimento, até lá vai sobreviver como? Não se entende como as entidades competentes ainda não criaram um fundo de receita para auxiliar o jogador após o termo da carreira, pois nem todos serão treinadores ou diretores desportivos.

A título de exemplo, na Bélgica o jogador retém uma verba para um fundo que, posteriormente, irá contribuir para o seu auxílio quando terminar a carreira. Em Portugal, ninguém pensa em nada.

Os regulamentos da FPF e da LPF são bem claros no que refere a vencimentos mínimos obrigatórios dos contratos profissionais em Portugal, contudo os clubes continuam a abusar descaradamente das obrigações e deveres, os jogadores assinam contratos legais, mas recebem quantias abaixo do regulamentado.

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Saliento com relevância que talvez tenha chegado a hora dos jogadores profissionais de futebol, juntamente com o Sindicato dos Jogadores, promovam uma greve de estado em Portugal, uma paralisação geral no futebol em unidade máxima.

Os futebolistas desconhecem o poder que tem nas mãos, sem eles toda esta máquina de crédito se torna despojada, os chefes da cúpula entrariam em pânico e com toda a convicção a ordem seria restabelecida.

O Sindicato de Jogadores tem a obrigação que rege os princípios morais de promover e exigir mudanças imediatas. Se não o fizer, concluo que estamos perante mais uma entidade que apenas cobra cotas anuais para associados e pouco mais.

A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar. (Martin Luther King).

Positivo: O jogador é santo que já recebeu suplica e clamor, pois então construam um santuário para estes homens virtuosos tal como fizeram com os políticos, que, por uma passagem parlamentar insignificante, conquistaram o direito a uma reforma vitalícia. FPF, LPF, SJPF, IPDJ, foquem-se na fonte e não no ralo.

Negativo: De uma forma mais global, a FIFA e UEFA amealham biliões todos os anos, continuam a governar de cadeirão, recheados de ouro, crescendo a reboque dos mais talentosos jogadores de futebol da história. Como é possível não existir um fundo mundial de pagamento de reformas para estes Deuses do futebol?

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