Opinião

A educação como garante de identidade

A educação como garante de identidade

As notícias dos últimos dias trouxeram-nos dados muito preocupantes. Prevê-se que o Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior tenha este ano uma quebra de mais de 3500 candidatos, um facto que nos deveria deixar a todos apreensivos, em particular aos responsáveis pela definição estratégica do nosso país.

De facto, a globalização tornou a educação e o conhecimento como os últimos bastiões da afirmação cultural de um povo e, consequentemente, da sua própria identidade. Apenas um elevado grau de educação da população, alcançado através da frequência de um Ensino Superior exigente, pode conduzir ao aparecimento de elites intelectuais capazes de contrariar a saída de centros de decisão do nosso país, assegurando a manutenção do controlo sobre áreas vitais da economia, da tecnologia e da cultura.

Infelizmente, em Portugal muitos preferem desvalorizar o ensino, em particular o Superior. Desde os sucessivos governos que impuseram gigantescas reduções orçamentais no setor até aos empresários que insistem em pagar salários inacreditavelmente desencorajantes a jovens saídos da universidade.

Estes, que deveriam garantir o futuro do país, veem-se assim obrigados a emigrar ou, pior ainda, a desistir de estudar por não reconhecerem no Ensino Superior um fator de promoção social e de desenvolvimento da sua própria qualidade de vida.

Seria, por isso, determinante que o país deixasse de considerar os gastos com a educação como um custo, mas antes um investimento fundamental para a sobrevivência da nossa identidade cultural.

Urge mudar rapidamente esta mentalidade e o próximo Orçamento do Estado será um momento decisivo para afirmarmos qual a direção estratégica que pretendemos para Portugal.

REITOR DA UNIVERSIDADE DO PORTO

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