Opinião

A megalópole Porto - Lisboa

A megalópole Porto - Lisboa

O ministro Pedro Nuno Santos veio recentemente colocar como uma prioridade nacional em termos de infraestruturas "ter uma grande área metropolitana entre Porto e Lisboa". Este princípio estratégico, com o qual concordo em absoluto, vem em linha com outros casos de sucesso de agregação e aproximação geográfica de grandes cidades, com ganhos de escala e eficiência assinaláveis. É disto exemplo o caso dos Países Baixos com Randstat, uma megalópole que congrega num único sistema de gestão as cidades de Amesterdão, Roterdão, Haia e Utrecht. Esta associação junta quase 8 milhões de habitantes, colocando esta região metropolitana como uma das maiores do Velho Continente. O mesmo exercício à escala nacional, criaria uma grande área metropolitana com mais de 5 milhões de cidadãos, rivalizando com Madrid ou Barcelona. Este caminho torna-se ainda mais decisivo quando temos vindo a assistir a uma dramática divergência das nossas duas maiores zonas metropolitanas em relação à Europa. Lisboa, entre 2000 e 2015, passou de uma riqueza de 120% da média europeia para próximo dos 100% hoje em dia. Quanto ao Porto, os números não são melhores: de 81% para 72% da riqueza média europeia. Mas este processo não pode esquecer o resto do país e ser catalisador da sua desertificação. Um plano desta magnitude tem de, obrigatoriamente, ser acompanhado por programas de investimento público e privado numa rede de cidades de média dimensão no interior de Portugal. Investimentos da escala e impacto do Alqueva são modelos a estudar e replicar, sobre diversas formas, ao longo do quadrante interior norte do nosso país, em estreita articulação com os grandes municípios, as universidades, os politécnicos e as empresas. Só assim seremos capazes de construir um país competitivo externamente, uno e equilibrado em termos de qualidade de vida oferecida aos seus concidadãos.

*Engenheiro e autarca do PSD