Opinião

A verdade como um problema na política

A verdade como um problema na política

1. Quando mais novos os nossos pais ensinam-nos que não devemos mentir. A quem minta dizem que nos põem pimenta na língua. Na mesma senda, o século XIX criou-nos a figura de um boneco de madeira, esculpido pelo carpinteiro Geppetto, cujo nariz crescia sempre que dizia uma mentira. Apesar de volvidos mais de 130 anos, o exemplo desta história e o celebérrimo nome do boneco ainda hoje serve de sinónimo de mentiroso. Pedagogia infantil com vista a formar homens sérios e probos.

2. Os representantes das comunidades têm um dever acrescido com a verdade. Por deverem ser exemplo. Por a sua palavra dever ter credibilidade. Por a sua informação dever ser investida de "ius auctoritas", independentemente de com eles concordarmos ou discordarmos.

3. Pedro Marques, agora em funções popularuchas (para que não tem manifestamente jeito embora se lhe note esforço imenso), entrou em campo a dizer que "Portugal está no primeiro lugar ao nível europeu na execução de fundos comunitários". Nos dados apresentados pela Comissão Europeia, Portugal aparece na sétima posição da tabela, com apenas 34% do valor programado já executado. Azar dos Távoras.

4. Entretanto, o PS exulta no seu site a "redução de 50% das dívidas aos fornecedores hospitalares". O portal "Transparência" do próprio Serviço Nacional de Saúde permite verificar que a dívida a fornecedores é praticamente igual aos de quando este Governo tomou posse (donde resulta ter toda a redução sido operada pelo Governo anterior), sendo, por isso, totalmente falsa essa afirmação. Que, passados poucos dias, foi removida do site do PS. Vá-se lá saber porquê...

5. Em 2017, António Costa garantiu que a venda do Novo Banco não representaria um encargo para os contribuintes. Esta semana, o Novo Banco pediu 1,15 mil milhões de euros ao Fundo de Resolução, entidade da esfera do Estado embora financiada pelos bancos. O que já causou grande tumulto nos partidos-muleta da "geringonça".

6. Cereja no topo do bolo: o próprio PS vem manifestar-se interessado no combate às fake news. Vou citar um tweet de Paulo Baldaia porque resume na perfeição aquilo com que pretendo concluir: "Lembrei-me agora que os partidos podem dar uma grande ajuda a combater as fake news. Abstendo-se de dizer mentiras".

Advogado e membro da Comissão Política Nacional do PSD

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