O Jogo ao Vivo

Opinião

Apostar na Linha de Leixões para levar o Alfa ao aeroporto

Apostar na Linha de Leixões para levar o Alfa ao aeroporto

A Linha de Leixões é uma linha que já existe, que todos os dias funciona para mercadorias, estando eletrificada em toda a sua extensão. Atravessa uma zona com 250 mil pessoas a menos de 15 minutos a pé dos seus apeadeiros e estações - mais do que todos os habitantes da cidade do Porto. Só que estas pessoas não podem beneficiar da linha que lhes passa à porta.

A verdade é que a Linha de Leixões se cruza com quatro linhas do metro do Porto em estações que são potenciais interfaces. E entronca nas linhas do Norte, do Minho e do Douro que movimentam nos comboios urbanos do Porto 25 milhões de passageiros por ano. Ao longo do seu trajeto, a Linha de Leixões atravessa zonas tão populosas como Matosinhos, São Mamede de Infesta, Pedrouços ou Ermesinde, incluindo espaços industriais com empresas como a Efacec ou a Unicer.

Para além disso, a linha passa ao lado do Hospital de São João: são 500 metros até à portaria do hospital! Se juntarmos o IPO e o Polo Universitário que ficam ao lado, bem como a Linha Amarela do metro, temos uma noção do potencial de mobilidade que o interface da Asprela pode oferecer se incluir uma nova estação na Linha de Leixões.

É absurdo que as pessoas que moram e trabalham ao lado da linha não a possam utilizar nas suas movimentações diárias - tal como é incompreensível que quem vem do Sul, do Minho ou do Douro para a AMP não seja distribuído de forma mais eficiente pela rede do Metro. Através da Estação de Esposade, a linha pode ser prolongada em três quilómetros e passar também a levar o Alfa ao Aeroporto do Porto.

A adaptação do que já existe nesta linha - que é quase tudo - a extensão ao aeroporto e aquisição de material circulante será muito mais barato do que qualquer nova linha de metro.

Porém, se forem repetidos os erros de 2009 - quando a linha abriu aos passageiros entre Ermesinde e Leça do Balio, sem estações, sem interfaces de ligações ao metro, sem uma frequência aceitável para uma rede urbana, e sem chegar, nem ao aeroporto, nem a Matosinhos, nem ao Porto - o fracasso será inevitável.

Não se pode ser indiferente a uma forma tão barata e tão eficiente de melhorar a mobilidade dos cidadãos.

Está na hora de apostar a sério na ferrovia!

*Presidente da Câmara Municipal de Valongo