Opinião

Bienal para agitar consciências

Bienal para agitar consciências

Está melhor, é certo, do que há alguns anos, mas a Área Metropolitana do Porto e a Região Norte ainda continuam com elevada taxa de desemprego e de emprego precário e mal pago, com vasto número de mulheres assassinadas vítimas de violência doméstica, com significativos problemas ambientais, com falta de casas a preços acessíveis, enfim, com um sem-número de questões que preocupam e inquietam todos os homens e mulheres de bom senso

Justifica-se, a toda a hora, a união, a voz de criadores que juntos poderão e deverão fazer-se ouvir e as suas obras poderão e deverão abanar consciências e denunciar o mal que vai no Mundo.

Há, por isso, o dever e a necessidade de se trabalhar e promover manifestações artísticas que sensibilizem o poder, o Governo, os autarcas, os artistas e as comunidades para a urgência de uma abordagem plástica no campo da intervenção social que proporcione um rígido e eficaz abanar das mentalidades e um agitar de consciências.

A Bienal Internacional de Arte de Gaia, assumindo-se como Bienal de Causas, é disso um bom exemplo, pois as suas duas últimas edições (2017 e 2019, que agora decorre) contribuíram significativamente para o desafio, e para o despertar nos artistas, agora em maior número, para a urgência de conceberem obras que proporcionem a todos uma maior sensibilização e reflexão sobre a arte política, que denuncie, questione e agite.

Este evento, que já vai na 3.a edição, decorre até 20 de julho, insere trabalho de 502 artistas, mais de 2000 obras, criadores de 14 nacionalidades e chega a oito municípios, além do "grande polo" que tem lugar na Quinta da Fiação de Lever (antiga Companhia de Fiação de Crestuma). Assume, sem receios, o nome de Bienal de Causas.

*JORNALISTA, PINTOR E DIRETOR DA BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE GAIA/BIENAL DE CAUSAS