Opinião

Construir cultura no Grupo DST

Construir cultura no Grupo DST

No nosso tecido empresarial rareiam os exemplos de preocupações culturais. E com a desculpa da crise cancelam-se alguns dos poucos apoios. Para muitos, a cultura não gera lucros, sendo um adereço supérfluo e inútil. E nem a lei do mecenato cultural incentiva realmente as entidades a investimentos expressivos.

Porém, há vozes recorrentes a defender o lugar fundacional da cultura e das humanidades, do cirurgião João Lobo Antunes à filósofa Martha Nussbaum, entre tantos outros. A saúde das democracias e a inovação das empresas não podem ignorar a criatividade e o espírito crítico gerado no vasto mundo cultural e nos especializados saberes humanísticos.

É justamente esta opção que norteia o DST Group, sediado em Braga, constituído por diversas empresas e com obras à escala mundial. Com cerca de 1500 trabalhadores, singulariza-se ao defender uma filosofia assente nos pilares da criatividade e da imaginação para o mundo dos negócios.

Estas competências transversais potenciam-se através da cultura, das artes e da literatura, sendo nucleares ao nível da produtividade e da competitividade. Dispondo de uma biblioteca, o grupo tem uma singular política de promoção do livro e da leitura. Os quadros superiores são desafiados a ler um livro quinzenalmente e a apresentá-lo em sessões coletivas, fomentando-se o debate crítico.

Ao mesmo tempo, patrocina desde 1995 o Grande Prémio de Literatura DST, promovendo a literatura portuguesa atual. Acaba de criar o Prémio de Literatura dstangola/Camões. Há 25 anos que é o principal mecenas da Feira do Livro de Braga. Apoia o teatro, quer a Companhia de Teatro de Braga quer os amadores da Nova Comédia Bracarense.

Estabelece ainda importantes protocolos com universidades da região. Patrocina a edição de autores literários, dos clássicos aos contemporâneos. Cria uma jovem galeria de arte - zet gallery -, vocacionada para a exposição e venda de artistas contemporâneos.

Efetivamente, na nova sociedade do conhecimento, o investimento cultural assegura amplo retorno. Neste sentido, a cultura integra efetivamente o ADN deste grupo empresarial. Investindo em atividades culturais 1,2 milhões de euros por ano, afirma assim a sua assumida responsabilidade cultural de forma exemplar.

* DOCENTE NA UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA