Opinião

Deixem-nos trabalhar

1. Luís Montenegro anunciou que queria ser presidente do PSD. E para isso, queria também que Rui Rio apresentasse a sua demissão.

Por que razão há de Luís Montenegro achar que Rui Rio deve correr a apresentar a sua demissão apenas porque Ele manifestou querer disputar eleições? Deveria Rui Rio ponderar demitir-se se outro qualquer militante lançasse idêntico desafio? Ou de cada vez que qualquer militante o faça? Será possível perceber a dimensão de sobranceria que é necessária para alguém se elevar ao ponto de achar que deve o presidente de um partido ponderar demitir-se apenas porque Ele quer disputar eleições?

2. Luís Montenegro podia ter-se apresentado a eleições no PSD. Tinha legitimidade e, pelos vistos, ambição. Porque não o fez? Será legítimo e responsável querer fazê-lo agora apenas porque se tenha arrependido da decisão que tomou há um ano?

3. Digo isto porque, na sua comunicação, não há um único argumento substantivo, de divergência estratégica, de discordância ideológica, nada! As motivações assentam em sondagens e profecias ("O PSD corre o risco de ter uma derrota humilhante"). Serão as mesmas sondagens que pré-anunciavam a derrota do PSD naquelas eleições que Passos Coelho veio a vencer? E que afã de ímpares segurança e autoconfiança garantem a Montenegro que, consigo, o PSD teria melhores resultados?

4. Desafiar uma liderança é um ato de enorme responsabilidade. Fazê-lo sem qualquer argumento sério e substantivo, assente em pressupostos subjetivos, forçados e proféticos, fazê-lo sem que o líder tenha disputado uma só eleição, é de uma enorme insensatez e falta de sentido de Estado.

5. Rui Rio foi eleito por 22 500 militantes do PSD ainda não fez um ano. Desde então mais de 6000 portugueses demonstraram vontade de aderir ao PSD. Está agendada para fevereiro a Convenção do CEN que reúne 1500 portugueses, militantes e independentes. Esta semana o PSD apresentou a sua proposta para uma nova Lei de Bases para a Saúde e a uma proposta para a nova Lei de Bases para o Ensino Superior. O PSD está a trabalhar e quer trabalhar. Tal como ontem, amanhã continuará a haver PSD. É preciso que tenhamos a grandeza e a humildade de respeitar a legitimidade do líder eleito pelos militantes, ajudando a construir a alternativa de que Portugal tanto precisa.

*ADVOGADO / MEMBRO DA COMISSÃO POLÍTICA NACIONAL DO PSD

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