Opinião

E depois do adeus ao Infarmed?

E depois do adeus ao Infarmed?

Ainda cheguei a acreditar que a sede do Infarmed viria para o Porto, mantendo-se o mais importante, os laboratórios, em Lisboa. Esta solução seria, obviamente, uma "mise en scène" política para salvar a face do Governo. Mas hoje sabemos que nem a esse arremedo de descentralização o Porto e a Região Norte terão direito.

A deslocalização do Infarmed vai agora andar de comissão em comissão até se alcançar o resultado pretendido: manter tudo como está. Quando os pareceres forem favoráveis a uma mudança para o Porto, ignora-se o facto; quando defenderem a manutenção em Lisboa, serão publicamente valorizados e apresentados como a melhor solução.

A rábula do Infarmed devia pelo menos servir para retirar duas lições: 1) a descentralização não se faz com medidas erráticas e pouco sustentadas nascidas ao sabor do voluntarismo dos governantes; 2) se o país tiver necessidade de novos organismos, estes devem impreterivelmente ser instalados fora de Lisboa. É mais eficaz e consequente instalar os novos organismos no Porto e noutras cidades do que deslocalizar estruturas de alguma dimensão, como é o caso do Infarmed.

Temo, contudo, que não haverá descentralização em Portugal enquanto os decisores políticos não perceberem que a distância entre Lisboa e Porto é exatamente igual à que separa o Porto de Lisboa. Ou seja, se consideram viável fazer-nos correr para Lisboa para tratar de questões administrativas, então também deverão estar dispostos a vir ao Porto sempre que a burocracia o exigir. Os quilómetros são os mesmos para um lado e para o outro...

REITOR DA UNIVERSIDADE DO PORTO

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