Opinião

Estudantes desalojados, Governo despreocupado

Estudantes desalojados, Governo despreocupado

O problema do alojamento estudantil no Porto está instalado na cidade de há uns anos a esta parte. Em 2018, vemos o preço dos quartos a duplicar, quando comparado a 2015. Os preços podem oscilar ligeiramente, mas há mesmo quem pague 500 euros/mês por um quarto, muitas vezes em condições absolutamente deficitárias. Somando este valor aos restantes encargos para frequentar o Ensino Superior, podemos atingir valores em alguns casos a ultrapassar os 1000 euros mensais, colocando a habitação como um dos maiores entraves à sua frequência.

Com os problemas já identificados há muito tempo, esperava-se uma resposta em tempo útil... Infelizmente o presente Governo já nos habituou à máxima "palavra dada, não é palavra honrada".

No Porto temos 23 mil estudantes deslocados e apenas 1300 camas nas residências, o Governo apresenta um plano para o alojamento que, até agora, a única coisa que alojou foram andares de notícias e intenções, mas que só irá alojar estudantes daqui a sensivelmente dois anos, e que em nada favorecem as instituições de Ensino Superior do Porto.

Também a Câmara do Porto se tem colocado à margem do debate que, ao invés de honrar o seu compromisso com os estudantes que caracterizam a cidade, prefere aplicar taxas e taxinhas aos munícipes e turistas, sem, até ao momento, ser notório o investimento do retorno dessa política tributária.

São várias as soluções já apresentadas pelos estudantes. Uma a curto prazo, que passa pela atualização do complemento de alojamento atribuído a estudantes bolseiros que não tenham uma vaga nas residências. Hoje o valor é de cerca 130 euros mensais, manifestamente baixo face às rendas que se estão a praticar.

Mas para além desta proposta, a cidade do Porto poderia ser palco de um projeto inovador, onde se poderia erguer uma "cooperativa de habitação académica" - um plano que, mais do que habitação, poderá ser uma verdadeira experiência de inovação social, com um "Bairro Académico".

Em suma, a política do Governo e do ministro Manuel Heitor, no âmbito do Ensino Superior, consiste em transformar estudantes deslocados em desalojados.

PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO ACADÉMICA DO PORTO

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