Opinião

Fraudes nacionais e a saúde

Fraudes nacionais e a saúde

Portugal está sob um ataque massivo de fraudes sociais.

Desde a epidemia de jovens jogadores oriundos da Guiné, com idade falsificada e massa muscular expandida com esteroides, passando pelas fraudes do setor financeiro, até às fraudes do discurso político-partidário em geral, e na saúde em particular. Sobre as duas primeiras, apenas posso esperar pela intervenção das autoridades de investigação criminal. Sobre a saúde, tenho a obrigação de intervir para denunciar três fraudes discursivas da atual ministra da Saúde.

ADSE? Tratando-se de um seguro de saúde (de natureza jurídica do setor público), a verdade é que foi a atuação política inexperiente da ministra que gerou o impasse e criou espaço para o bluff dos grupos privados. Estes, vendo tanta gente incompetente no Ministério da Saúde e na liderança da ADSE, no xadrez da estratégia induziram processos de negociação oportunista e fizeram um xeque ao rei (leia-se a António Costa), que pagará caro para evitar a crise que o faria perder as eleições.

Conflito com os enfermeiros? A incompetência negocial da ministra, e o seu desconhecimento de opções para equilibrar o diálogo, tem sido fraudulentamente ocultada através de desinformação e "fake news". Por outro lado, é óbvio que foi um erro nomear para ministra a representante dos administradores hospitalares que são percecionados, pelos profissionais de saúde, como os responsáveis pelo colapso organizacional e falência do SNS. Branquear este fenómeno de descredibilização da ministra e do Governo é fraudulento.

O apelo para que os médicos não abandonem o SNS? Vindo de uma ministra sem prestígio no setor e incapaz de desenvolver propostas de modernização das organizações de saúde do setor público, é somente um ultraje discursivo. É fraudulento projetar a ideia de que os médicos têm uma dívida moral para com um SNS que já não lhes garante as melhores condições de formação e desenvolvimento profissional.

A pupila de Correia de Campos, como é referida nos corredores, é apenas um mero instrumento de fraude discursiva. Envergonha a respeitabilidade das políticas de saúde e descredibiliza o Governo. Já há quem duvide que consiga sobreviver até às eleições.

Editor científico internacional em Gestão de Políticas de Saúde