Opinião

Internacionalização: atrair e integrar

Internacionalização: atrair e integrar

As instituições de Ensino Superior (IES) portuguesas atuam numa sociedade cada vez mais internacional. Como tal, a sua própria internacionalização é inevitável.

Em linha com os objetivos assumidos há 20 anos na Declaração de Bolonha, as IES portuguesas têm vindo a investir na internacionalização. Entre outros aspetos, entraram em redes globais de ensino e produção de conhecimento e estimularam a mobilidade dos estudantes e docentes.

Muito foi feito, mas ainda há muito para fazer. Para que as IES portuguesas possam continuar a beneficiar do talento disponível à escala global não basta ter capacidade de atração: é preciso saber acolher e integrar.

É óbvio que a diversidade de proveniências, de expectativas, de culturas, de línguas e de religiões traz novos desafios ao nível da interação em ambiente multicultural, mas o público internacional tem outras necessidades: por exemplo, a gestão da sua situação e o acesso a serviços públicos.

Para que a comunidade internacional usufrua de plena integração, é necessário oferecer-lhes uma resposta integrada e articulada às suas necessidades. A formação de uma rede que integre as IES, as entidades públicas com responsabilidades na área da migração e os vários parceiros sociais das regiões de influência das IES é uma possibilidade.

A abertura de Centros Locais de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM) nos campi universitários, como aquele que no início deste mês foi inaugurado pela primeira vez na Universidade de Aveiro, é um bom exemplo das ações que se podem empreender para a efetiva integração dos talentos que nos chegam. O país precisa de todos.

*REITOR DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO