Opinião

Mais vale prevenir que remediar

Mais vale prevenir que remediar

A notícia "Unos 800 estudiantes provocan destrozos en un hotel de la Costa del Sol", que "El País" apresentou no passado dia 8, amplamente acompanhada pela imprensa nacional, caiu que nem uma bomba. Não tanto pelo comportamento dos jovens finalistas, pois, à semelhança de anos anteriores, esteve longe de ser irrepreensível (seria pedir muito?), mas antes pela atitude insólita do proprietário do hotel: expulsou os estudantes portugueses e ficou com a caução para pagamento dos prejuízos.

Em primeiro lugar, estas viagens de finalistas do 12.º ano (embora conste que possam estar incluídos alunos com idades a partir dos 14 anos...) são exclusivamente tratadas pelas respetivas associações de estudantes das escolas secundárias, que contratam empresas especializadas nestes eventos; se as escolas não têm qualquer responsabilidade nesta atividade, seria prudente os pais envolverem-se na sua organização, pois a maioria dos alunos ainda não tem 18 anos.

Em segundo lugar, é necessário perceber que as escolas - os seus órgãos de gestão e administração - são isentas de responsabilidade, mau grado tenham ficado desgostosas com o sucedido. Independentemente da culpa ou de futura responsabilização dos estudantes infratores, estas viagens não são consideradas uma atividade da escola, não fazendo parte integrante do plano anual de atividades, pelo que nenhum professor participa nas mesmas e o próprio seguro escolar não pode ser, sequer, acionado para iniciativas desta natureza.

Em terceiro lugar, é tão inadmissível crucificar os nossos jovens pelo (que dizem ter) sucedido (inteligentemente, o dono do hotel, cancelou uma conferência de imprensa, uns dias depois...) - os responsáveis pelas empresa organizadora do evento deveriam ter usado a mesma estratégia -, como assistir a putativas defesas, quer por parte dos seus pais, quer do lado dos responsáveis de quem tratou, e lucrou, com este divertimento. Julgando estar a defender as damas (jovens e empresa), algumas das suas declarações fizeram cair no ridículo e ainda acicataram mais a opinião pública que estava do lado dos estudantes.

Em quarto lugar, apreciei as declarações dos estudantes envolvidos que, publicamente, deram a sua versão dos acontecimentos. Sem trunfos na manga, opinaram de forma livre e consciente, transparecendo exageros. Não querendo desculpabilizar eventuais responsabilidades de alguns dos nossos jovens, questiono: cuidaram de saber se este hotel reunia as condições (faz sentido servir o pequeno-almoço até às 10 horas?) para receber este tipo de atividade? Porque será que nunca fora antes contratado para tal?

É necessário refletir nos comportamentos das massas, sobretudo quando estas são compostas por indivíduos a desabrochar para o Mundo, sendo indesculpável qualquer atitude de má-criação ou falta de civismo. Bom seria que no próximo ano não se ouvisse falar de comportamentos anómalos, nem tão-pouco de quem, abusiva e continuadamente, fica com o valor das cauções dos nossos jovens, por tudo e por nada, o que parece já fazer parte do folclore local... Porque não expulsaram (só) os prevaricadores?

Tomando como mote de reflexão este triste episódio e apontando agulhas para o Ensino Superior, numa antecipação à entrada na semana académica da Queima das Fitas (porque as "desgraças" não são apanágio do ensino não superior), ainda que não pretendendo estabelecer qualquer paralelismo entre as duas situações, questiono: quem se preocupa com os inúmeros comas alcoólicos registados durante todos os dias nas semanas da Queima?

É um assunto de há muitos anos, não de agora, devendo ser convenientemente refletido, sob pena de assobiarmos para o lado, até um dia... "Mais vale prevenir que remediar."

O certo é que no Ensino Superior tudo parece ficar imóvel (as praxes académicas sofreram, efetivamente, alterações?...), havendo receio de mudar aquilo que, na verdade, merece ser alterado.

Saibamos aproveitar situações desagradáveis, prevenindo, enquanto é tempo, factos que repudiamos, mas de que só nos lembramos quando acontecem. Também no Ensino Superior.

PROFESSOR/DIRETOR

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