Opinião

Memória seletiva

O PSD perdeu eleições. Já aconteceu e como o partido não vai acabar (profecia cíclica) voltará a acontecer no futuro.

Hoje, o país tolera-nos, mas não nos respeita. Um país ferido por uma governação difícil e revoltado porque, erradamente ou não, pressente que o caminho poderia ter sido menos penoso. Isso obriga a uma complexa gestão política na mensagem e na postura. No PSD, esta situação conduz à fulanização da discussão sobre a liderança. Pessoalmente, não faço política nos jornais, faço no meu partido, mas aprecio a possibilidade de equilíbrio que proporcionam. Reequilibremos: aguentámos uma derrota autárquica, uma mudança de liderança, um ataque público e uma tentativa de mudança. Segurámos e segurámo-nos. Não nos demitimos do nosso papel. Algum dos alegados futuros pode dizer o mesmo?

Recentemente, alguns militantes vieram "oportunamente" criticar a Direção do partido. Legítimo numa instituição livre. Mas este não é o tempo que serve o partido, o país ou até os próprios, que não entenderam. Onde foi a conversa da inclusão? É ingénuo, até dissimulado, não associar os resultados deste maio à derrota nas autárquicas de 2013/17. Aqueles que comparam o que dizem ser hoje o "que se lixe o partido" parecem esquecer que o "que se lixem as eleições" de outrora levou à perda irreparável de património eleitoral, sobretudo urbano. Não foi uma humilhação?

Recuperar não é só uma questão de mensagem e redução de erros. Defendemos um programa de ajustamento com consequências, e não se pode fazer política com olho seletivo. O PSD está hoje politicamente mais frágil para o país estar financeiramente mais forte. Neste cenário somos todos convocados para denunciar a incoerência de Costa e a degradação do Estado. Temos é de estar disponíveis, mais ativos antes do que depois.

*Conselheiro Nacional do PSD