Opinião

O alerta de Marcelo

E se as declarações de Marcelo não forem um prenúncio da desgraça, mas, pelo contrário, a convocatória para a evitar?

A 26 de maio, de entre 10 560 372 portugueses com capacidade eleitoral ativa, 7 247 674 optaram por não exercer o direito de voto. Significa que, em cada 10 inscritos, sete escolheram não escolher. E significa também que Portugal ostenta a sexta pior taxa de participação da UE, cuja média foi de 51%. Estes números podem ter diversas interpretações, mas a conclusão é só uma: a maioria dos portugueses ignorou as eleições europeias.

Serão com certeza vários, e os mais diversos, os motivos que podem ajudar a explicar este fenómeno de alheamento eleitoral coletivo. Uns porventura num plano mais técnico ou legislativo, outros relacionados com aspetos logísticos próprios da organização familiar de cada um, sendo que os que têm por base o desencantamento com a classe política são os que devem merecer a melhor reflexão tanto do PSD como do CDS.

Nos últimos meses houve um país que esteve na rua, que paralisou serviços públicos e brandiu pelo estado de pré-rutura dos serviços públicos de transportes, pela falência do SNS e do ensino público. O país das greves dos professores, médicos e enfermeiros. O país dos funcionários públicos desmotivados, dos juízes desconsiderados e dos bombeiros subalternizados. Este país, que nos últimos meses ocupou horas de televisão e páginas sem fim de jornais, não se sente representado. Os desencantados, os desmotivados, os desiludidos e os defraudados, incansáveis nas redes sociais, nos fóruns e nas "antenas abertas", dão recorrentemente corpo e voz às suas inquietações, mas não as traduzem em voto. Porquê? É a questão que Marcelo coloca a Rio e Cristas.

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