Europeias

Opinião: O obstáculo da abstenção

Opinião: O obstáculo da abstenção

"Uma sondagem é uma fotografia de um momento e não a previsão de um acontecimento". Esta é uma frase gritada por todos os técnicos do setor, mas permanentemente ignorada por todos os atores do teatro politico e mediático.

Em Portugal, se existe eleição onde a previsibilidade tão ambicionada é colocada em causa é justamente nas eleições europeias, fruto de uma única expressão: abstenção. De forma simples, a dificuldade dos especialistas em sondagens é conseguir identificar quem diz que vota num determinado partido e, no dia da eleição, acaba por se abster. Provavelmente, se estes eleitores pudessem votar a partir de casa ou do local onde estão, votariam em quem afirmaram votar na sondagem. Contudo, a praia, a distância ou simples "comodismo", podem ser travões fortíssimos na ida às urnas.

Assim, no domingo veremos se todos os entusiastas que afirmaram na sondagem JN/TSF votar BE ou no PAN sempre se deslocarão às urnas, ou se cederão às tentações diversas. Citamos estes dois partidos, porque são os que na nossa sondagem se destacam pela positiva, a confirmar-se a presente fotografia: Bloco passaria de um eurodeputado para dois com a séria possibilidade de três e o PAN passaria a contar com um deputado em Bruxelas.

CDU e CDS são dois partidos com histórico difícil com as sondagens. Parece existir uma tendência para o eleitorado que vota nestes dois partidos não gostar de o declarar telefonicamente. Quando analisamos em quem votaram nas ultimas eleições legislativas, a CDU aparece claramente prejudicada na nossa sondagem. Esse desvio amostral pode explicar o fraco resultado da CDU numa eleição onde é historicamente forte. O CDS concorreu nas ultimas eleições coligadas com o PSD, pelo que não podemos avaliar se existe um desvio semelhante, mas o CDS é conhecido por ser prejudicado pelas sondagens. Talvez CDU e CDS consigam eleger dois deputados nas eleições de domingo, mas com base nos números da presente sondagem, ambos elegeriam apenas um deputado, ainda que uma ligeira variação nos resultados lhes permita alcançar um segundo deputado.

Dos partidos novos ou dos mais pequenos, existem três (Basta, PDR e Aliança) que matematicamente podem aspirar à eleição, mas apenas um parece ter real possibilidade: o PDR de Marinho Pinto. Ainda que precisasse de cerca de mais um ponto percentual para poder ter esperança efetiva.

Quanto a PS e a PSD, parece estar decidido o vencedor. O PS lidera com cerca de cinco pontos percentuais nas intenções diretas de voto (em rigor ainda estamos na presença de uma empate técnico, mas comparando os resultados dos primeiros dias da nossa sondagem com os últimos dias, a distância aparenta alargar se). Uma variação face ao mês anterior que parece resultar maioritariamente da gestão da chamada "crise dos professores" e de uma dinâmica de campanha final mais conseguida pelo PS.