Opinião

Orçamento faz de conta

Orçamento faz de conta

Os orçamentos das escolas decresceram para níveis miserabilistas, vitimados por cortes cegos, que menosprezam as "linhas orientadoras" definidas ao nível do Conselho Geral sob proposta gizada pelo diretor.

Uma vez mais, a maioria das escolas viu-se depauperada, persistindo a incógnita de o minguado dinheiro disponibilizado ser suficiente para fazer face aos custos da água, eletricidade e das comunicações, transparecendo a ideia distorcida de serem geridas como se tratando de unidades fabris.

Reféns da "paranóia" da redução do défice, os líderes das escolas, representando o Estado, terão mais um ano de sobressalto orçamental, temendo ser apodados de "caloteiros" por uma situação que não lhes é devida.

Quando a Educação, a área fundamental de qualquer país que se afirma democrático, é lesada pela ignomínia das cativações, as escolas veem-se obrigadas a mendigar pelo reforço de verbas, subjugadas à perversidade ditada pela estratégia orçamental.

O financiamento dos cursos profissionais não foi poupado, deixando de contemplar o aluguer das impressoras e a contratação de uma empresa que apoie os serviços administrativos, remetendo para as direções a execução das inúmeras tarefas adstritas, a par da extemporaneidade dos reembolsos.

O auge deste drama dá-se com as escolas a devolverem o dinheiro das receitas próprias no final do ano civil, antevendo o retorno com o ano letivo já findo, ficando manietadas para, no ínterim, liquidar as faturas das despesas correntes e de concretizarem várias atividades pedagógicas no âmbito do plano anual. Quem beneficia?

Exige-se o respeito pelo trabalho dos excelentes profissionais que dirigem as escolas, saturados de tais atitudes vis e despóticas.

* PROFESSOR; DIRETOR

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