Opinião

Política à portuguesa

Política à portuguesa

A vida política em Portugal, com tanta desresponsabilização e amnésia, continua a cavar um fosso enorme entre os cidadãos e a atividade política

Pessoas que vão trabalhar todos os dias - pagam os seus impostos religiosamente e fazem enorme ginástica para chegar ao fim do mês - não entendem que não se puna quem se deve punir e, chegados ao fim dos processos temos uma mão cheia de nada.

Somos um país em que a única coisa que funciona bem é cobrar impostos para quem trabalha por conta de outrem.

Vivemos num regime de "habilidocracia", que tem levado à indiferença dos cidadãos em relação ao mundo da política. Os políticos têm a sua reputação e legitimidade nas ruas da amargura.

Portugal está a transformar-se num país de faz de conta, de paródia, sem direito, sem razão, sem uniformidade, sem equidade, sem rigor, sem dignidade, sem imparcialidade. Depois queixam-se da abstenção!

Portugal é um país em que não há presos políticos, mas há políticos presos.

O estado da nação tem um lado caótico e um lado ordenado.

O lado caótico: a dívida pública atingiu 230%; o estado dos serviços públicos, renovação do cartão de cidadão, atraso nas pensões, transportes públicos, serviço nacional de saúde.

O lado ordenado: alternativa à Esquerda (o acordo PS/BE/PCP funcionou uma legislatura), controlo do défice público, baixa do desemprego e a reposição salarial dos funcionários públicos.

António Costa vai vencer, a vida política é uma espécie de terra do PS e o resto é uma espécie de terra de ninguém.

Contudo, convém não esquecer que a democracia se baseia no princípio de Abraham Lincoln de que "é possível enganar toda a gente em alguns momentos, ou enganar algumas pessoas a todo o momento, mas não é possível enganar toda a gente a todo o momento".

*Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores