Opinião

Porto: um ano de maioria absoluta

Porto: um ano de maioria absoluta

As últimas eleições autárquicas consagraram, no Porto, uma significativa alteração da governação local. Apesar da subida eleitoral do PS, a maior entre todos os concorrentes, Rui Moreira alcançou a maioria absoluta. Passado um ano, é altura de fazer um balanço.

Há, seguramente, aspetos positivos. Prossegue a prioridade atribuída no anterior mandato à cultura e vários projetos emblemáticos estão a ser concretizados, com destaque para o Bolhão, o Matadouro, a Gare Intermodal de Campanhã ou o Pavilhão Rosa Mota.

No entanto, terminado um ano de maioria absoluta, sobressaem três traços bastante negativos. Em primeiro lugar, assistimos a uma compressão da vida democrática. O encerramento arbitrário do quiosque em S. Lázaro, a perseguição a um cidadão que interpôs um processo judicial contra uma decisão da Câmara, as ameaças de queixa-crime contra um antigo vereador, a substituição de uma técnica só porque o seu cônjuge escreveu um artigo denunciando os problemas da cidade, são sinais preocupantes de uma conceção da vida pública incompatível com o apego à liberdade que constitui um valor essencial do Porto.

Por outro lado, a Câmara tem demonstrado uma enorme incapacidade de lidar com problemas fundamentais do quotidiano. É o que acontece na mobilidade e, sobretudo, na limpeza urbana. Ao longo destes meses, a Câmara procurou negar o colapso do sistema de limpeza pública. Agora, perante o acumular de lixo, já diz que o problema vai ser resolvido "a partir de outubro". Não teria sido mais produtivo ouvir desde logo as queixas dos cidadãos e tratar do assunto de forma expedita?

Finalmente, a Câmara revela-se incapaz de lidar com o maior problema estrutural do Porto, o acesso à habitação. O Município mantém a requalificação dos bairros e a tentativa de intervir nas ilhas, que herdou da governação socialista no pelouro. Mas, acreditando que o mercado vai resolver tudo, por um lado; e culpabilizando o Governo, por outro, desperdiça a oportunidade de lançar uma nova política pública que permita aos cidadãos de todas as condições económicas e idades viver na cidade.

Um ano depois, torna-se evidente a falta que o PS faz na governação autárquica. Continuaremos a lutar pelo Porto com o mandato de oposição que nos foi conferido pelos cidadãos.

MÉDICO. VEREADOR DO PS NA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO