Opinião

"Professor", Património Imaterial da Humanidade

"Professor", Património Imaterial da Humanidade

O professor deveria ser considerado pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Não "um professor" individualmente considerado, mas o magistério e a profissão que ele representa.

Porque a educação é o mais potente fator de desenvolvimento de um povo e o garante da construção de uma sociedade plural, igualitária e inclusiva devemos acarinhar e respeitar o "professor". Desde logo o do Ensino Básico e Secundário. Porquanto é ele que molda a personalidade de todas as crianças e jovens e lhes garante, apesar de outras condicionantes sociais e económicas, um futuro aberto às diferentes experiências que a vida pode proporcionar. E potencia a aquisição das competências necessárias a uma plena autorrealização. Não há igualdade de oportunidades sem educação.

Sendo a UNESCO a entidade responsável pela difusão global da educação, da cultura e da ciência, faz sentido que seja aqui reconhecido o imenso papel que a educação e os educadores prestam no devir coletivo da humanidade. Mais ainda quando estamos a entrar numa era profundamente tecnológica onde é necessário aprofundar as "soft skills" relacionadas com a inteligência emocional.

O professor é ainda responsável pela incorporação de outros valores intangíveis tal como a língua e a cultura. Ou mesmo a aprendizagem da arte ou da história como fatores identitários únicos e exclusivos de qualquer sociedade. Ser reconhecido pela UNESCO é um gesto de reconhecimento e gratidão pelo papel único do professor na sociedade, e pela sua função de educador e de exemplo, em qualquer país e cultura.

Note-se que, em Portugal, foi a universalização do ensino que colocou o país na rota da modernidade. Se hoje temos excelentes médicos, arquitetos, engenheiros, entre outros profissionais, ou se temos uma cultura de cidadania democrática e de respeito pelos direitos humanos devemos aos professores o seu empenho e a sua dedicação.

Esta proposta surgiu num debate sobre educação promovido por professores em Mirandela. O que demonstra que no interior do país, frequentemente esquecido e marginalizado, também se pensa. Porque felizmente o pensamento é livre. Mas só é livre porque alguém nos educou para a liberdade e para a cidadania.

*PROFESSOR CATEDRÁTICO DA UNIVERSIDADE DO PORTO

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