O Jogo ao Vivo

Opinião

Será que temos mesmo eleições?

Será que temos mesmo eleições?

A rentrée política que vivemos assemelha-se mais a um prolongamento da silly season do que a um necessário e urgente toque a rebate de todos os aparelhos partidários para eleições que "parece" se avizinham.

Da Direita à Esquerda, não vejo qualquer vontade de debater ideias, confrontar soluções, criticar opções. É uma espécie de anticampanha. O desafio ao nonsense é permanente. Temos debates que mais parecem conversas de café nas quais ninguém quer contrariar o opositor para não o arreliar. Estes tempos de antena transformaram-se em penosos momentos televisivos, de onde os próprios intervenientes parecem querer sair tão rapidamente como entraram. Temos propostas atiradas para a Comunicação Social que não respeitam as necessidades dos portugueses, nem tão-pouco a realidade económica e financeira do país. Temos candidatos que assumem não ter gosto em sê-lo, apelando implicitamente a uma deserção ou desistência coletiva que os salve de tão angustiante destino que para eles é serem eleitos em representação dos portugueses. Tudo isto são sinais de doença e de preocupação com a vitalidade da nossa democracia, dos partidos e dos políticos que os lideram e representam. Comunicação Social, órgãos reguladores e os próprios portugueses parecem também não estar muito interessados, isto pode representar desistência ou, pior ainda, que deixaram de acreditar no sistema. Não me venham dizer que a culpa é dos políticos, pois todos os que conheço são feitos da mesma carne e osso que todos os outros portugueses. A culpa é de todos nós. Caro leitor, este país merece mais. Temos de perceber que a democracia tem custos, e esses custos são o nosso tempo, o nosso empenho a nossa participação cívica, militando, reivindicando, protestando e, mais importante que tudo, votando. Assim tudo fará sentido e Portugal será melhor amanhã do que hoje.

Engenheiro e autarca do PSD