Opinião

Sinto vergonha de ser presidente de Câmara

Sinto vergonha de ser presidente de Câmara

Os últimos dias foram pródigos em notícias visando autarcas e autarquias envolvidos num conjunto de práticas de natureza criminal, designadamente atos de corrupção.

Sempre defendi que na vida como na política não somos todos iguais. Contudo, não posso deixar de me indignar contra todos aqueles que, eleitos e legitimados pelo voto popular, mancham a atividade política. Uma atividade que devia ser nobre. Como nobre deve ser o caráter dos que se dispõem a servir os seus semelhantes.

Porque somos eleitos para servir e não para ser servidos. Somos eleitos para defender o bem público e o superior interesse da comunidade. Somos eleitos para servir de exemplo à comunidade.

A classe política nunca mereceu grande aprovação por parte da população. O rótulo de desonestidade sempre esteve colado a todos aqueles que se propuseram contribuir para transformar a sociedade criando melhores condições de vida aos seus concidadãos. Esta sempre foi a minha interpretação da vontade dos homens e mulheres que querem servir a comunidade.

Sempre lutei contra o preconceito de que os políticos são um bando de malfeitores.

Mas hoje, no somatório das notícias vindas a público e das que se avizinham, sinto-me indignado e envergonhado.

Se Portugal precisa de uma operação mãos limpas que seja feita! Que se separe o trigo do joio. Não é possível continuar a trabalhar com a sombra de que somos todos iguais. Que somos todos desonestos. E que se afaste definitivamente a escumalha que se arrasta pela política em jogos de interesse e prática de crimes que a todos enojam! Todos têm a obrigação de denunciar atos ilícitos! Para que haja decoro e decência!

Lutei por isso! Lutarei sempre por isso!

A bem do meu concelho. A bem de Portugal!

*Presidente da Câmara de Paços de Ferreira