Opinião

Uma ciência aberta e transversal

Uma ciência aberta e transversal

A ciência foi um setor muito sacrificado pelos cortes na despesa pública impostos pela crise. E ainda hoje não dispõe de um modelo de financiamento capaz, previsível e regular.

Acresce que a burocracia e indefinição legal dificultam a atividade dos centros de I&D, assim como a precariedade do emprego científico e o envelhecimento do corpo de investigadores.

Neste quadro, não parecia possível a ciência portuguesa continuar a produzir conhecimento relevante e a reforçar a sua projeção internacional. Mas a verdade é que a investigação científica em Portugal está a atravessar um bom momento, com constantes descobertas e inovações, prémios e reconhecimentos, publicações e patentes, bolsas e programas de financiamento, parcerias internacionais e interfaces com empresas.

O segredo desta resiliência só pode estar no potencial humano da ciência portuguesa, evidente quer na relevância do conhecimento produzido, quer na boa gestão dos centros de I&D. Mas também não é despicienda a abertura das instituições científicas ao exterior, que se tem traduzido em profícuas parcerias interinstitucionais e colaborações multidisciplinares.

É disto exemplo o consórcio que junta o centro de investigação CIBIO à Universidade de Montpellier e à Porto Business School no projeto BIOPOLIS, que vai dar origem a um instituto de excelência em biologia ambiental. Já aprovado pela Comissão Europeia, o projeto prevê o maior financiamento de sempre a um centro de investigação em Portugal. Ora, isto só é possível porque o projeto não foi desenvolvido numa "lógica de capelinha", mas sim envolvendo diferentes atores públicos e privados, com destaque para a Sonae, e estabelecendo objetivos com interesse transversal à sociedade.

*Reitor da Universidade do Porto