Opinião

Linhas de defesa

O combate à pandemia tem três linhas de defesa essenciais. A primeira é a do comportamento da população, da qual depende o nível de transmissibilidade. A segunda é a da testagem e deteção rápida de contactos, para cortar as cadeias de transmissão. A terceira e última é a do tratamento hospitalar.

Inicialmente, caiu a primeira linha de defesa. Os hábitos da população em geral não eram compatíveis com um controlo da propagação do vírus. Aumentando os casos, a segunda linha de defesa foi acusando a pressão e também caiu. Deixou-se a certa altura de conseguir fazer uma testagem tão ampla, com reflexo na positividade que atingiu valores acima dos 20% no Norte. Também os inquéritos epidemiológicos deixaram de acompanhar o aumento de casos, estando ainda esta semana 20 000 em atraso. A vulnerabilidade destas linhas de defesa afeta diretamente a terceira, dando origem ao aumento de procura hospitalar e internamentos. Atualmente, estamos no Norte numa situação de estabilização num patamar de alta incidência, por recuperação da primeira linha. O comportamento mudou e, por isso, a transmissibilidade baixou. Entretanto, a capacidade de testagem foi reforçada, nomeadamente com a introdução dos testes rápidos. As equipas de rastreio de contactos foram alargadas. O número de casos é ainda elevado, mas gradualmente a proporção de casos assintomáticos detetados será maior. A evolução dos internamentos, mais do que os casos, será então o melhor indicador da recuperação da terceira linha de defesa.

*Professor de Matemática da FCUP

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