Opinião

Maioria diminuta

As próximas eleições legislativas estão renhidas e podem dar uma vitória quer ao PSD/CDS quer ao PS. Tudo aponta para que não haja uma maioria suficiente para formar um governo estável e duradouro.

Quem vencer terá uma maioria que não deixará de ser diminuta e minoritária. Uma coisa é ter uma maioria absoluta, outra coisa é ter uma maioria relativa que não permite a manutenção de um governo e o seu programa. A existência de duas maiorias similares pode levar ao bloqueio permanente e gerar uma situação de conflito e de crise latente.

Todavia também pode abrir caminho ao entendimento, uma vez que ambos os lados sabem até onde podem ir e que contar.

Depois do dia 4 de Outubro cada partido ou coligação contará os seus votos e redesenhará a sua estratégia em função dos resultados.

O presidente da República está impedido pela Constituição de dissolver um governo nos últimos seis meses do seu mandato. Por outro lado, o próximo presidente da República, eleito em Janeiro de 2016, está de igual modo, impedido de dissolver um governo nos primeiros seis meses do seu mandato.

Isto significa que Portugal pode ver-se obrigado a viver sem um governo em pleno das suas funções até Julho de 2016. Teremos um governo de gestão e Portugal viverá com um Orçamento do Estado em duodécimos.

PUB

Haverá um impasse, seguir-se-á o caos e todos os sacrifícios que se fizeram durante estes quatro anos irão por água abaixo, depois de muito esforço, tudo foi em vão.

A maioria que se formar no dia das eleições pode muito bem ser uma maioria diminuta e minoritária.

O autor escreve segundo a antiga ortografia

* FUNDADOR DO CLUBE DOS PENSADORES

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG