Opinião

"Manda um poema ao Camões"

"Manda um poema ao Camões"

Hoje, celebramos o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Já em 2009, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa havia escolhido o 5 de maio como Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP.

Dez anos depois, por iniciativa do embaixador António Nóvoa, acompanhada pelos seus colegas de países de língua portuguesa, a UNESCO ampliou o escopo do 5 de maio para Dia Mundial. O português juntou-se assim às línguas oficiais das Nações Unidas (árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo), como língua com dia internacional.

Esta é a primeira coisa que celebramos: a projeção e o reconhecimento global do idioma. Falado, em todos os continentes, por mais de 260 milhões de pessoas, é um dos que mais crescem.

Valorizamos também o português como bem comum. Ele é língua oficial de nove países e uma região especial (Macau). Pertence a todos quantos o falam, o usam em casa, na escola, no trabalho, nos negócios, nos média, nas organizações, na ciência, no espaço público, na literatura e nas artes. A todos pertence, sem precedências nem hierarquias.

Celebramos ainda a diversidade de uma língua pluricêntrica, que conta com diferentes variedades. O que disse Mia Couto, adaptando a frase de Pessoa - "a minha pátria é a minha língua portuguesa" - poderíamos dizer todos. Os africanos, os brasileiros, os portugueses, os timorenses falam a mesma língua de diferentes maneiras. E a riqueza da língua vem desta diversidade.

Festejamos os usos da língua, que a transformam e vivificam. Desde logo, a literatura: as literaturas de língua portuguesa e as demais artes que dela se servem, como o cinema ou o teatro. E os saberes sobre a língua, que a estudam e aperfeiçoam. E o ensino em português e das culturas de língua portuguesa. Celebramos a importância da língua comum como meio de comunicação e, por isso, de intercompreensão e, por isso, de respeito mútuo.

Por estes dias, em 45 países, uma centena e meia de atividades promovidas ou apoiadas pelo Instituto Camões, pela CPLP, pelas embaixadas de Portugal e de outros países lusófonos, dão vida ao Dia Mundial. Gosto, em particular, das que decorrem em escolas, universidades, salas de concertos, auditórios, livrarias e bibliotecas. Mas também nas praças e jardins. Terá lugar, pelo segundo ano consecutivo, a corrente iniciada pelo nosso leitorado em Estocolmo: professores e estudantes de português dispersos pelo mundo lerão textos literários num qualquer espaço exterior das suas cidades. E em Angola nasceu outra iniciativa nas redes sociais, em que as pessoas são convidadas a publicar pequenos vídeos declamando poesia. Sob um belo título: "Manda um poema ao Camões".

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Cara leitora ou leitor: hoje, em casa ou na rua, mande também um poema a Camões. Ele, "lá no céu etéreo" a que subiu, ficará contente.

*Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros

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