Opinião

Manter a responsabilidade

Manter a responsabilidade

Fez ontem dez anos sobre o anúncio do pedido de assistência financeira a Portugal.

A crise do "subprime" eclodiu nos EUA em 2007 e teve efeitos devastadores nos sistemas financeiros e consequências dramáticas no plano económico e social, tendo mostrado a importância de uma Europa robusta económica, financeira e monetariamente e do exercício orçamental responsável.

A proclamação da resposta política norte-americana e europeia foi a mesma: apostar no investimento público, travar a recessão, segurar o emprego e o tecido empresarial. Contudo, a Reserva Federal foi célere na injeção de liquidez no sistema. A UE demorou tempo demais e a inação tornou inevitável o resgate. A austeridade deixou uma péssima memória. A primeira palavra de tranquilidade dirigida aos mercados veio de Mário Draghi, apenas em dezembro de 2012, quando afirmou: "O BCE está pronto a fazer tudo o que for preciso para preservar o euro".

Em Portugal, um novo Governo e uma nova abordagem política, um clima macroeconómico favorável, uma política monetária europeia expansionista, o investimento, o crescimento das exportações, a criação líquida de emprego, o estímulo ao consumo baseado na procura interna e a estabilidade política deram origem a um ciclo de convergência com a Zona Euro, à redução da dívida pública em percentagem do PIB e ao primeiro excedente orçamental desde o 25 de Abril de 1974. E à criação de mais de 350 mil postos de trabalho.

A crise pandémica tudo mudou. Contudo, a resposta à crise está nos antípodas da resposta anterior. A UE foi célere e deu garantias ao financiamento dos estados. As instituições nacionais cooperaram. Num ano, o Governo levantou um edifício normativo que suportou um vasto conjunto de apoios sociais e económicos diretos de 4729 milhões de euros. Muito há para fazer. Mas, ignorar o que tem sido feito, seria destruir as bases de confiança com que temos de cuidar do futuro.

*Secretário-geral-adjunto do PS

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