O Jogo ao Vivo

Opinião

Mobilidade sustentável: incentivar e perdurar

Mobilidade sustentável: incentivar e perdurar

Este é o 18.º ano em que a Semana Europeia da Mobilidade, que decorre de 16 a 22 de setembro, leva as cidades a promover ações de sensibilização e debate sobre a necessidade de os cidadãos mudarem comportamentos e adotarem alternativas de transporte menos poluentes.

O tema das alterações climáticas domina a discussão política a uma escala global e a intensidade de partilhas nas redes sociais sobre este tópico indica uma preocupação genuína e crescente dos cidadãos. Importa, por isso, refletir sobre a forma como os cidadãos podem sentir este problema global à escala local. E, por outro lado, como às cidades cabe um papel indutor e catalisador de mudanças desses comportamentos, através de políticas de mobilidade sustentável. Esta incumbência será tanto mais eficaz quanto perduráveis forem os seus efeitos.

Cidades como Surrey, com o projeto EcoRewards, Singapura, com o Travel Smart Rewards, e, recentemente, Matosinhos, com a plataforma AYR, têm procurado incentivar e recompensar o cidadão por opções de mobilidade menos poluente. A literatura científica e os resultados observados em projetos de mobilidade sustentável sustentam que as abordagens baseadas em sistemas de recompensa de comportamento sustentável ("nudging"), por criarem uma motivação individual, podem ter um efeito mais estável e perdurável do que as políticas restritivas baseadas na taxação e no preço dos mercados de licenças de emissões.

As políticas de incentivos a comportamentos sustentáveis e a respetiva recompensa, através de créditos, descontos e serviços sustentáveis, procuram transmitir ao cidadão que tem poder de escolha e encorajam a procura de alternativas que promovem, ao mesmo tempo, o bem social comum.

O cidadão assume, deste modo, o problema como próximo e prioritário, tentando fazer parte da solução, movido pela consciência ambiental, por vezes mais digital do que real.

É essencial fornecer às cidades instrumentos que permitam aferir quantitativamente o impacto da mudança de comportamentos no seu território e contribuam para enraizar uma consciência ambiental no cidadão. Pedalar ou caminhar já não seria um tema da Semana da Mobilidade, mas uma ação de consciência coletiva.

*INVESTIGADORA NO CEiiA, PROFESSORA DO ISEC LISBOA