Mensagem de Natal do Presidente da República

Natal e solidariedade em Portugal

Natal e solidariedade em Portugal

Em rigor, não deveria ser necessário esperar pelo Natal para ser solicitado a falar ou a escrever sobre a Solidariedade dos portugueses, presente ao longo de todo o ano e mais marcante nos momentos cruciais da sua existência comunitária.

Mas o Natal, enquanto encontro da Família, e das diversas Famílias, em que se entrecruzam as nossas vidas, é um tempo propício a um como que balanço do feito e do omitido nas mais diversas expressões da solidariedade nacional.

Ademais, para quem perdeu entes queridos, conheceu privações, viu redobrarem-se sacrifícios e penosidades, o Natal como que amplia ausências, adensa saudades, aprofunda solidões.

Não deveria, porventura, assim ser, mas é.

A lembrança de outros Natais ou o sonho frustrado ou destruído de um Natal presente feito à imagem dos anteriores convidam, amiúde, à tristeza, à melancolia, à sensação de perda irreversível.

É em instantes como estes que mais se impõe sublinhar a solidariedade, que é fundamento de esperança.

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Porque sem esperança a vida perde tanto do seu sentido.

O futuro passa a ser encarado como uma sombra do passado perdido ou do presente largamente vazio.

E a solidariedade constitui uma das razões de ser da esperança.

Diz-nos que, em rigor, ninguém deve ser excluído.

Diz-nos que a nossa felicidade supõe a realização da felicidade dos outros.

Diz-nos que é bem mais o que nos une do que aquilo que nos separa.

Diz-nos que há milhares e milhares de nossos companheiros de caminhada que, quotidianamente, nos estão ligados, mesmo que disso nos não demos conta.

Diz-nos que a sua generosidade é ilimitada, o seu sentido de serviço é constante, a sua militância social toca a abnegação.

Pois é nos tempos de maior dor e maior exigência que essa solidariedade mais importa e mais esperança pode criar.

Neste Natal, em que a alegria de muitos pode correr o risco de esquecer a pena de outros tantos, onde a presença física não for possível, que chegue uma palavra, um aceno, um pensamento.

Nesses nossos compatriotas que merecem ser, neste Natal, ainda mais lembrados, estão os que viram as suas vidas paradas, adiadas, desfeitas pelas tragédias de Junho e de Outubro.

Não que não tenha havido outros mais atingidos, em anos anteriores, ou mesmo durante este Verão.

Só que a inesperada intensidade das duas tragédias tudo o mais sobrelevou.

Acompanhar e apoiar a sua saga desde então e no refazer do futuro é essencial.

Mas não menos essencial é que esse refazer o seja em termos materiais e, também, espirituais.

A solidariedade recobre uma e outra dessas vertentes.

Sem a material, não há como proporcionar condições óbvias a quem quer permanecer nesses Portugais demasiadas vezes esquecidos.

Sem a espiritual, o recriar condições de permanência pode reduzir-se a um utilíssimo exercício tecnocrático, mas desprovido de alma.

Os portugueses - todos eles - entenderam este apelo. Desde o primeiro minuto. E foram inultrapassáveis.

Assim estão a ser, agora, neste Natal. Vivendo a solidariedade em espírito de família. Com aquelas famílias para as quais há lugares vazios na casa, na mesa, na vida. Lugares ainda ocupados há dois, há seis meses.

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