Opinião

"Neste país não se pode ser sério"

"Neste país não se pode ser sério"

1. Declaração de interesses: sou membro da Direção Nacional do PSD e um apreciador da forma frontal, direta, sem rodeios de Rui Rio. Tenho a convicção de que guarda em si as características que, em qualquer mesa de café, dizemos pretender ver num político. Seriedade. Competência. Verticalidade. Sem maniqueísmos partidários. No entanto, quando o temos mesmo ali à nossa frente, isso já não parece tão claro.

2. O título do texto poderia ser "o que tem a Comunicação Social contra Rio?" Porque é chocante assistir à tentativa de boicote permanente, à constante subversão de mensagem, a uma manifestação clara de que, quem vem lá de cima do Norte, ou beija todos os anéis, ou não tem direito à consideração da Corte. Como se disse no Expresso da Meia-Noite para gáudio dos presentes, ainda Rio tinha pouco tempo de presidente do PSD, "ele às tantas nem sabe onde é o Saldanha".

3. Ainda não consegui fechar a boca do momento em que assisti a José Miguel Júdice, na estação de televisão de que é diretor o irmão do primeiro-ministro, a chamar "atrasados mentais" aos líderes da Direita. Vou relevar a falta de educação. Eu, um primário do Norte, é que não percebo que isso às tantas tem perceção antípoda no dialeto da Corte.

4. O que é incrível é chamar "atrasados mentais" por não saberem falar para o seu eleitorado. Isso sim, é brilhante. Na grandiloquência intelectual de Júdice, os partidos devem ser apenas caixa de ressonância dos seus eleitores. Às tantas mensurável bimestralmente. Não há eleitorado a conquistar. Não podem ter ideias próprias, rasgar horizontes ideológicos, abrir novos caminhos de reflexão. Apenas se circunscrever às fronteiras do seu programa ideológico. Fantástico! O homem como máquina. O político como vacuidade intelectual. Às tantas foi obedecendo a estes princípios que Júdice, um profeta dos amanhãs que cantam, apoiou publicamente Sócrates em 2009.

5. Foi sempre assim. A 2.ª Dinastia resulta da vitória do povo sobre o desejo das elites. Os Filipes caem apesar do apoio expresso da Nobreza. É preciso que o povo queira continuar a defenestrar quem nos tenta manipular.

6. Cruzei na rua com um senhor de idade que, abordando-me, me veio dizer "gosto muito do Dr. Rui Rio, acho que ele é aquilo que Portugal precisa. Mas sabe qual é problema? É que neste país não se pode ser sério". Palavras que nos deviam fazer refletir.

* ADVOGADO / MEMBRO DA COMISSÃO POLÍTICA NACIONAL DO PSD

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