Opinião

O maior golo de Marega

O maior golo de Marega

Decorria o minuto 70. O momento era decisivo. Estava tudo em jogo. Quem baixasse para a defensiva arriscava-se a que o resultado injusto triunfasse. Restariam duas ou três notas de rodapé a dar conta da infelicidade. Era preciso brio, coragem e uma enorme personalidade.

O árbitro parecia não ver o atropelo às leis do jogo, ali a dois passos de si. E foi então que Marega surpreendeu tudo e todos. Marcou o maior golo da sua vida. Com uma corrida mais possante do que aquelas a que nos habituara. Levantou o estádio. Não o de cerca de 23 mil pessoas e uns quantos energúmenos. O mundo do futebol e o mundo que nem vai ao futebol ergueu-se num clamor.

Marega metera um golo contra o racismo. O golo dele foi mais belo que o mais belo golo de Puskas, de Maradona, de Cruyft, de Ronaldo, de Messi, de Eusébio. E foi um golo de todos eles!

Aconteceu no Arena, no Dragão, em Alvalade, em Old Traford, no Maracaña, na Bombonera. Sobretudo, porém, no Estádio da Civilização. Só uns quantos mais delinquentes puseram-se de lado ou vieram com "mas". Mas a um golo desta dimensão não há nenhum "mas" que resista à condenação de quem o pronunciou. Obrigado, Marega. O teu golo fica para a história: a história da humanidade.

*ENCENADOR, DIRETOR ARTÍSTICO DA SEIVA TRUPE: TEATROVIVO

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