Opinião

O Papa e a insensatez de Trump

O Papa e a insensatez de Trump

Donald Trump tem o condão de criar problemas onde eles não existem. Não será só por incompetência ou inconsciência. Terá também objetivos políticos. Esta semana, quando não revogou a mudança da embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém, reconheceu esta como capital do Estado de Israel. A entrada em vigor desta mudança, decidida pelo Congresso americano em 1995, vinha a ser adiada por todos os presidentes norte-americanos até que, no contexto de uma pacificação do conflito israelo-palestiniano, o estatuto da cidade fosse consensualizado.

A mudança era uma promessa eleitoral, mas Trump já tinha revogado uma vez essa lei do Congresso. Agora, não o voltou a fazer, talvez porque lhe interesse distrair a opinião pública de outros problemas que afligem a sua Administração, como a investigação do FBI às suas relações promíscuas com o Kremlin. Esta e outras ocorrências demonstram a insanidade de muitos líderes mundiais, os quais subordinam aos seus interesses mesquinhos e populistas o bem-estar dos outros seres humanos.

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Neste contexto, o Papa Francisco destaca-se como o único líder global escutado por todos, respeitado por muitos, que procura ter a palavra certa no momento certo em defesa dos que são instrumentalizados por líderes incompetentes e inconscientes.

Perante a insensatez de Trump, o Papa apressou-se a defender a manutenção do estatuto de Jerusalém. "Não posso calar a minha profunda preocupação pela situação que se criou nos últimos dias e, ao mesmo tempo, fazer um forte apelo para que todos se comprometam a respeitar o status quo da cidade, conforme as pertinentes resoluções das Nações Unidas. Jerusalém é uma cidade única, sagrada para os judeus, os cristãos e os muçulmanos, que nela veneram os Lugares Santos das respetivas religiões, e tem uma vocação especial para a paz", disse o Papa no final da audiência geral desta quarta-feira, no Vaticano. Pediu ainda, sem mencionar Trump, "que prevaleçam a sabedoria e a prudência, para evitar acrescentar novos elementos de tensão num panorama já por si convulso e marcado por tantos e cruéis conflitos".

O Mundo precisa urgentemente de mais líderes que promovam a paz e o progresso dos povos. E dispensa incendiários.

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