Opinião

O PSD terá futuro

Os resultados das legislativas de domingo confirmam que o PSD continua a ser um grande partido nacional, um partido com futuro. A derrota do PSD - e, inequivocamente, tratou-se de uma derrota - também, paradoxalmente, demonstrou a sua resiliência eleitoral, o seu enraizamento sociológico e a sua centralidade no espaço não-socialista.

As insistentes previsões quanto ao colapso do PSD, alegadamente "supérfluo" no sistema partidário, revelaram-se infundadas. Todavia, e de igual forma, os resultados de domingo apontam para a necessidade de um reajustamento profundo da relação que o partido tem cultivado com a sociedade portuguesa.

O PSD terá futuro se traçar um projeto alternativo para uma sociedade moderna, complexa, exigente e globalizada. Terá futuro se abandonar a "estratégia centrista" dos últimos anos e se acentuar as diferenças que o distinguem da Esquerda em geral, e do PS em particular. Terá futuro se recrutar rostos genuinamente representativos dos setores mais dinâmicos da nossa sociedade. Terá futuro se voltar a abraçar o seu legado de partido interclassista, de "casa comum" capaz de reunir sensibilidades ideológicas distintas e de federar as forças reformistas do Centro e da Direita.

Dir-se-á que o PSD tem futuro porque, no seu interior, existe uma geração nascida em democracia que defende um novo impulso reformista e um projeto político mobilizador. Se assim o entenderem, militantes como Miguel Pinto Luz dinamizarão a mudança que o país, fustigado por políticas anacrónicas que nos conduziram à estagnação económica e à paralisia social, não pode dispensar.

* Professor universitário