Opinião

O que pode ser o Norte interessa a Portugal

O que pode ser o Norte interessa a Portugal

Os leitores do JN passam, a partir de hoje, a contar quinzenalmente com a minha opinião. Agradeço à Direção do jornal o convite e saúdo, especialmente, a vocação desta Instituição em pensar e falar do país a partir do Norte. É um exercício oportuno e relevante.

Tomarei essa vocação também por minha, evitando a tentação de tornar esta coluna refém da "agenda" da CCDR-N, a que presido, e optando por analisar temas de interesse nacional, sob a lente do Norte.

As duas dimensões - a nacional e a regional - devem estar umbilicalmente ligadas. O país não vive sem o Norte. Não pode crescer sem a sua maior região populacional, nem ultrapassar os seus desafios sociais, culturais e económicos sem mobilizar as competências e as potencialidades aqui instaladas.

Nenhum todo se desenvolve sem uma atenção específica a partes que são diferentes. O Norte não é o Alentejo, nem os Açores ou o Algarve. Factos simples e incontornáveis como estes espantam velhos, mas persistentes, fantasmas que contrariam a descentralização de decisões ou a mera diferenciação territorial de políticas, que ainda há dias o Conselho Regional do Norte reclamou.

O Norte é, por exemplo, a região líder portuguesa no registo europeu de patentes, grande parte das quais oriundas suas empresas, com 56% do total nacional em 2020. É responsável por um terço do investimento em Investigação & Desenvolvimento (I&D), o que traduz uma posição de vanguarda tecnológica e inovação. Também representa mais de metade do emprego na indústria e quase 40% das exportações nacionais.

Paradoxalmente, num dado perturbador, o Norte é a única região portuguesa cujas sub-regiões registam, sem exceção, uma riqueza por habitante inferior a 75% da média da União Europeia. É uma evidência de que o potencial humano, económico e de inovação do Norte não se traduz ainda em ganhos de produtividade e de coesão transformadores.

Por tudo isto, é tão importante o robusto e territorialmente abrangente pacote de investimentos que ontem apresentámos para instituições e projetos científicos do Norte.

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Ao construir uma região de futuro - com melhor capital humano, científica e tecnologicamente evoluída e uma economia competitiva - estamos a dizer ao país que pode contar com o seu Norte. Isso deve interessar a Portugal.

*Presidente da CCDR-N

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