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Ponto de ordem na luta anticovid-19

Ponto de ordem na luta anticovid-19

Nos últimos dias tivemos números diários muito preocupantes da evolução da pandemia da covid-19: manutenção de um número elevado de mortos, de novos casos positivos e internamentos nos hospitais.

Ao mesmo tempo que as notícias de todos os dias são sobre as vacinas, que sendo a sua chegada e administração a profissionais de saúde e a idosos nesta primeira fase, uma boa notícia, têm uma cobertura noticiosa e um exibicionismo governamental excessivo, porque cria e alimenta a falsa ideia de estarmos perto de resolver o problema e por isso podemos andar mais à vontade.

O rigor na aplicação por toda a gente das medidas de proteção individual - lavar e desinfetar as mãos, utilização de máscara e distanciamento social -, assim como a sua intensa e regular publicitação, tem de ter a primazia do combate para que o possamos ganhar.

Convocar as universidades portuguesas capacitadas em termos técnicos para a linha da frente da informação aos cidadãos, da realização de testes à comunidade, da realização de estudos epidemiológicos e investigação aplicada a este combate, é uma urgência nacional que temos de utilizar em larga escala.

Deambular entre o medo e o laxismo continua a ocorrer demais, sendo necessário promover uma cultura de responsabilidade e de responsabilização, de forma a termos uma comunidade mais eficiente neste combate.

É também necessário alterar de imediato as prioridades do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), dando a primazia à saúde, ao investimento em edifícios e equipamentos, à qualificação da prestação de serviços e à investigação aplicada, tratando dos processos, projetos e obras necessárias com a diligência urgente que normalmente os ministérios da Saúde das Finanças não têm, utilizando parcerias com os municípios para que as coisas aconteçam.

A saúde tem de ser uma prioridade real, com afetação relevante de Fundos Comunitários do PRR e do Quadro 2021/2027, até porque assim não foi nem está a ser, no Portugal 2020.

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A transição digital e climática são novas políticas da União Europeia e de Portugal que se saúdam e que temos de desenvolver, mas a saúde é a primeira das urgências, até porque o SNS tem mostrado as suas fragilidades no combate à pandemia, e fazendo esse combate tem descurado outras frentes a que a rede de cuidados primários e hospitalares tem de continuar a acorrer com qualidade.

Testemos e vacinemos, mais e melhor, mas sempre se coloque a prioridade na prevenção com as medidas de proteção individual e desta vez por todas seja feito um forte investimento na capacitação do SNS: esse sim será a justa e necessária homenagem ao SNS, aos profissionais de saúde e aos portugueses.

Presidente da Câmara de Aveiro

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