Opinião

PSD, sociedade civil, Estado e partido

PSD, sociedade civil, Estado e partido

Penso que foi Francisco Sá Carneiro que um dia disse primeiro Portugal, depois a sociedade e só depois a social-democracia. Queria ele dizer que o interesse nacional e os cidadãos devem ser fundamentais na escolha das políticas a seguir.

Rui Rio lançou, recentemente, no interior do PSD um debate muito importante. O debate de saber quem, na esteira da herança histórica do PSD, pode defender aqueles que não pretendem viver à sombra do Orçamento do Estado, que querem ter iniciativa empresarial mas também desejam a responsabilidade de um Estado Social que não seja omnipresente na sua vida mas antes os ajudem e não lhes compliquem a vida.

A sociedade portuguesa, hoje, corre o risco de uma fragmentação de ideias e de ser campo para populismos extremistas fáceis, venham eles da Esquerda ou da Direita.

Foi isso que o 25 de Novembro impediu e, assim, se andou até meio da década de 90, quando o Bloco de Esquerda, aproveitando a crise do Partido Comunista, se modificou na sua forma radical de Esquerda modernizando o discurso.

Graças à iniciativa de Freitas do Amaral, a Direita portuguesa esteve sempre enquadrada nos valores democráticos, não existindo, durante muito tempo, imagem de qualquer tipo de extremismos de má memória. Acontece que, hoje, com a crise dessa mesma Direita, o Chega "chegou" ao Parlamento com ideias básicas e preparado para uma guerra de trincheiras.

Sim, é uma guerra de trincheiras que a Assembleia da República se prepara para oferecer aos portugueses.

Neste inédito ambiente, os dois maiores partidos portugueses, o tal bloco central , onde grande parte dos portugueses vota, atravessa uma crise profunda.

O Partido Socialista, no poder, e com medo de fazer as reformas que Portugal precisa, continua a tratar da gripe com paliativos e rezando para que esta não se transforme em pneumonia.

O Partido Social Democrata está dividido entre correntes contraditórias e com candidatos a pensar já no dia seguinte.

Apetece deixar um aviso. O PSD tem de ter consciência cívica e política de algumas coisas.

A primeira, reconciliar-se com o seu eleitorado.

A segunda, voltar a ter um papel decisivo na sociedade civil e no eleitorado urbano.

A terceira, liderar a casa comum alternativa às esquerdas com uma liderança esclarecida e uma agenda moderna e mobilizadora para Portugal.

Os candidatos à liderança do PSD devem compreender que ganhar no partido não será o mais importante. O importante será ganhar no país. Aprendam com Marcelo Rebelo de Sousa.

*PROFESSOR UNIVERSITÁRIO DE CIÊNCIA POLÍTICA E ESTUDOS ELEITORAIS

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