Opinião

Remessas do pós-25 de Abril superam PIB nacional

Remessas do pós-25 de Abril superam PIB nacional

Tornou-se habitual observar que a Imprensa de Portugal dá algum destaque aos emigrantes nas edições do início do mês de agosto de cada ano, por ser uma altura em que muitos portugueses residentes no estrangeiro voltam ao país para desfrutar das férias anuais, de tal forma que o dia 1 de agosto se tornou quase numa espécie de "Dia do Emigrante".

Este ano, estamos todos a viver um contexto muito particular e a vinda dos emigrantes ganhou uma dimensão financeira maior que a habitual pois poderá constituir uma importante lufada de ar fresco na economia nacional.

Mas quando se fala em impacto dos emigrantes na economia, pensa-se primeiramente nas remessas. Ao recolher dados disponibilizados pelo Banco de Portugal, é notável observar o peso que os emigrantes tiveram na economia através do envio de remessas no pós-25 de Abril.

O período que vai de 1975 a 1990 foi de longe o mais profícuo com o envio de perto de 100 mil milhões de euros, que representam uma média anual de cerca de 6,6 mil milhões de euros (em valores reais). O valor historicamente mais baixo foi atingido em 2009 com 2 559 428 milhões de euros (também em valores reais). Todavia, a tendência da última década é de uma evolução claramente positiva pois o montante das remessas em 2019 foi de 3 645 200 milhões de euros.

Para concluir, destacam-se ainda algumas referências de relevo.

Em valores reais, o contributo dos emigrantes em remessas na era democrática atinge os 217 mil milhões de euros, valor ligeiramente superior ao PIB nacional de 2019, que ficou pelos 212 mil milhões de euros.

Essa mesma verba de 217 mil milhões de euros está bem acima dos cerca de 130 mil milhões de euros (a preços de 2011) que Portugal terá recebido de fundos comunitários desde a adesão à Comunidade Económica Europeia até ao ano de 2018.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, de 2008 a 2019, o Estado terá providenciado ajudas financeiras na ordem dos 20,6 mil milhões de euros para salvar a Banca. Em período homólogo, as remessas dos emigrantes atingiram os 37,5 mil milhões de euros (em valores reais) - praticamente o dobro.

O que teria acontecido à economia portuguesa sem o contributo dos emigrantes, com as remessas, nesse momento de crise?

Não obstante esse impulso não negligenciável, refira-se que as remessas são a ponta do iceberg no que diz respeito ao real contributo das Comunidades Portuguesas na economia nacional.

*Conselheiro das Comunidades Portuguesas

Outras Notícias