Opinião

Riqueza

"Estamos a alocar o dinheiro em despesas correntes ou nos investimentos para o futuro?" (António Horta Osório).

As Forças de Segurança estão maioritariamente instaladas em edifícios arrendados e/ou sem condições, sem dignidade e sem eficiência. A par disto, multiplicam-se os edifícios abandonados, propriedade do Estado. Dar nova vida a estes, libertando as Forças de Segurança do pagamento de rendas exorbitantes, diminuiria consideravelmente as despesas correntes e seria um investimento para o futuro. Mas, sobre isto, o Plano Recuperação e Resiliência nada diz!

E isto porque as Forças de Segurança (GNR e PSP) continuam a ser olhadas como serviços de segunda pelos sucessivos governos, cuja "visão de futuro" passa pelos baixos vencimentos, o indigno subsídio de risco, as más condições de trabalho e as carreiras estagnadas, menosprezando-se o valor que acrescentam na sociedade (como pilar de segurança e de justiça), o nível de exigência (técnica e intelectual) das funções, a verdadeira e permanente disponibilidade e o concreto risco que correm.

Talvez porque nestes novos tempos o 12.o ano se transformou numa espécie de 4.ª classe antiga, elitizando-se os licenciados (seja de que curso for, seja de que qualidade for, seja a que preço for!) e desprezando o verdadeiro conhecimento, o saber da curiosidade ou da experiência feita e o saber da ação, mesmo que (como é o caso das Forças de Segurança) tenham exames de acesso, cursos de longa duração e exames finais. Só não têm é nada para pendurar numa parede!

"A maior desgraça de um país pobre é que, em vez de produzir riqueza, vai produzindo ricos... outro problema das nações pobres é que, em vez de produzirem conhecimento, produzem doutores" (Mia Couto).

*Presidente do Sindicato Nacional da Carreira de Chefes da PSP

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