Opinião

Salgueiros, a alma de Fénix

Salgueiros, a alma de Fénix

O Sport Comércio e Salgueiros, fundado a 8 de dezembro de 1911, detém uma longa história centenária, intensa e arrepiante, na década de 40 era o clube da cidade com mais associados, o seu bairrismo popular era inigualável. A nostalgia dos tempos relembra-nos quando os nossos avôs diziam: vou a Vidal Pinheiro ver o velho Salgueiral.

A sua primeira presença na primeira divisão deu-se na época 1943/44, contudo a grande afirmação só viria acontecer na década de 80/90, permanecendo com regularidade na 1.ª Liga, coroando o seu percurso com a presença na Taça UEFA na época de 1990/91 quando defrontou o Cannes do ainda desconhecido Zidane.

Porém, a queda da torre de Babel estaria por vir, com a descida à 2.ª Liga em 2001/02, o Salgueiros teve grandes dificuldades para se aguentar, bastaram dois anos para a derrocada, que levou o clube a converter o nome por várias vezes, não evitando mesmo assim a fuga aos campeonatos distritais.

Por esta altura, o tombo da torre estava consumado, o velho Salgueiral esteve às portas da morte, o seu prestígio derrogou e a sua existência suprimiu quase a zeros, sem estádio, sem dinheiro e com pouca esperança de vida, o seu fim anunciava-se nos corredores do futebol.

Contudo, havia algo, uma força que fazia estremecer e ecoar esperança, um ruído afetuoso e maciço que anunciava a chegada de um novo sonho, a alma de Fénix a verdadeira alma salgueirista tinha renascido das cinzas mais profundas.

Mesmo sem base nuclear, o exército de Vidal Pinheiro continuou a invadir todos os estádios por onde passava, a presença de Fénix incorporou as almas e transformou cinzas em fogo, provando ao mundo do futebol que os adeptos são a única força impartível que um clube pode ter, sem eles não há clubes.

Com o alicerce desta enorme alma, o Salgueiros conquistou um novo território, uma nova base que irá certamente escrever uma nova história recheada de capítulos gloriosos.

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No seu 107.º aniversário o Salgueiros foi recompensado com a cedência do Complexo Desportivo de Campanhã, um ato nobre e de louvor que a Câmara Municipal do Porto exerceu sobre este histórico e eterno emblema, veio tarde, mas ainda a tempo.

Os filiados salgueiristas meteram mãos ao caminho e não perderam tempo, várias remodelações tem vindo a ser feitas no recém denominado Estádio do Cerco, bancadas, coberturas, pinturas, balneários, tudo tem vindo a ser feito pela mão desta grande alma.

Este é um histórico clube que privilegiou e foi salvo pela massa adepta, a queda anunciada foi transformada numa nova oportunidade, a sua força continua a ser sentida por onde passa, assistir a um jogo do Salgueiros é como entrar no antigo Coliseu de Roma, emoção e euforia são constantes, o apoio é frenético e contagiante.

No estádio estamos sempre à espera do golo salgueirista, o momento em que a alma de Fénix sobrevoa o relvado, congratulando todos os que lutaram pela causa.

A alma salgueirista representará sempre o triunfo da vida sobre a morte e quando o ruído for intenso e o calor demasiado, já sabemos, a alma de Fénix está no estádio.

* Treinador

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