Opinião

São João operou em 2021 o maior número de doentes da sua história

São João operou em 2021 o maior número de doentes da sua história

Em 2021, o Centro Hospitalar Universitário de São João atingiu um marco significativo na sua história: realizou 53 720 cirurgias.

Este resultado constitui o maior número de doentes operados em 63 anos, representando 8 a 10% de toda a produção nacional cirúrgica convencional programada. Com a suspensão da atividade eletiva não urgente, adivinhava-se um aumento da pressão com a reabertura dos centros de saúde, pelo que foi necessário antecipar a resposta e criar circuitos que permitissem o tratamento de todos os doentes covid e não covid. Tivemos de nos reinventar: redimensionou-se a unidade pós-anestésica para dar resposta à atividade eletiva e libertar camas de Medicina Intensiva; otimizou-se a capacidade dos blocos operatórios; aumentou-se o número de salas operatórias de ambulatório e ampliou-se a ambulatorização; iniciámos a monitorização domiciliária dos doentes operados; dinamizámos a hospitalização domiciliária; desenvolvemos a App My São João.

Terminámos 2021 com um aumento de 17% das cirurgias realizadas, correspondendo a mais 7898 cirurgias face a 2020. Houve uma redução significativa da mediana de espera para 1,5 meses e pela primeira vez a resolução de todos os doentes a aguardar cirurgia há mais de um ano, sendo que 94% dos doentes foram operados dentro dos Tempos Máximos de Resposta Garantidos.

O CHUSJ registou, em 2021, uma melhoria dos indicadores relacionados com o tempo e qualidade de resposta aos doentes oncológicos que nos chegaram em estádios mais avançados por atraso no diagnóstico. Apesar da pressão da pandemia, realizámos cirurgias inovadoras e diferenciadas ao nível de centros mundiais de referência. Fomos procurados por doentes e instituições para resolução dos casos mais complexos.

Com a estabilização da Lista de Espera para Cirurgia e melhoria da acessibilidade à cirurgia programada, nos últimos meses, não tivemos vales cirúrgicos emitidos para o exterior. Desde maio, invertemos este circuito e começámos a receber doentes de todo o país, colaborando com outros hospitais do SNS e competindo de forma inovadora com as instituições privadas e sociais.

Quem faz a diferença nas instituições são as lideranças e os profissionais. Os últimos dois anos foram de uma exigência inimaginável, mas as equipas mantiveram o entusiasmo e a motivação, o que permitiu a recuperação da atividade não realizada nos anos anteriores.

O grande desafio para 2022 será a cirurgia robótica, projeto que perseguimos desde 2019 e que iremos concretizar. Concretizar o futuro!

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*Diretora da Unidade Autónoma de Gestão de Cirurgia do CHU de São João

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