O Jogo ao Vivo

Dia Mundial do Refugiado

Solução digna e equilibrada para a questão dos refugiados passa por política europeia de migrações inteligente

Solução digna e equilibrada para a questão dos refugiados passa por política europeia de migrações inteligente

Portugal é um país com uma forte tradição de acolhimento de estrangeiros e de diáspora de comunidades portuguesas no mundo. Temos, por isso, a obrigação de compreender o novo fenómeno da globalização das migrações e, muito particularmente, dos refugiados.

Estes movimentos migratórios são forçados por catástrofes naturais, guerras ou conflitos entre povos, gerando um lado negro, marcado pelo sofrimento destas pessoas. Palestina, Sudão, Somália, Síria ou Líbia são exemplos atuais.

Mas há mais exemplos. Basta olhar para o Mediterrâneo e ver como a Itália e a Grécia recebem essas pessoas, que veem esses países como portas de entrada para uma Europa de oportunidades, tendo como destino final a Alemanha, o Reino Unido ou mesmo a França.

Este é o grande desafio para a nossa Europa. E a União Europeia pode dar um contributo decisivo para o debate, que tem sido pouco esclarecido e muito marcado por preconceitos de xenofobia, racismo ou questões religiosas, ao qual o fenómeno do terrorismo dá o enquadramento trágico necessário às correntes populistas.

Vemos como há partidos políticos a ganhar terreno em Itália, França e no leste europeu, ou como influenciaram o Brexit. Abre-se, assim, a porta à demagogia e ao populismo. Em Portugal, estes fenómenos ainda não fazem escola nas forças políticas representadas no Parlamento.

Neste Dia Mundial do Refugiado recordo que, em 2017, a Agência da União Europeia para o Asilo registou 706.913 pedidos. Trata-se de uma diminuição de 43% face a 2016. Grande parte destes pedidos foi de cidadãos sírios, iraquianos, afegãos e nigerianos.

São números que espelham facilmente sentimentos de receio ou de angústia no nosso modo de vida ou na nossa conceção de sociedade.

Perante este quadro, são muitos os desafios que nos são colocados enquanto cidadãos e organizações da sociedade civil empenhados em participar numa solução digna e equilibrada para a questão dos refugiados.

O combate passa pela criação de uma política europeia de migrações inteligente, que dê resposta às novas realidades demográficas.

No quadro do programa europeu de recolocação, Portugal é o sexto país da União Europeia a acolher maior número de refugiados. Apostou-se na sua distribuição territorial e a Santa Casa da Misericórdia do Porto tem participado no programa, facilitando o acesso a habitação e emprego. A nossa experiência revela que a comunidade está recetiva à integração destes novos elementos.

Ao mesmo tempo participamos no programa de apoio a jovens estudantes sírios, promovido pelo ex-Presidente da República, Jorge Sampaio.

Espero que estas histórias de sucesso afastem o receio dos menos esclarecidos. Espero ainda que os movimentos participativos ajudem a afastar o racismo, a combater o trabalho ilegal, as redes de tráfico de seres humanos e a falta de habitação. Não é com muros que vamos construir pontes de civilização.

Precisamos de tolerância nos nossos comportamentos e na leitura das nossas leis. Porque estão em causa os valores da paz, do desenvolvimento económico e da sustentabilidade da nossa sociedade.

Vamos então seguir o conselho do Papa Francisco: "Para aqueles que fogem de conflitos e perseguições terríveis, que muitas vezes são presos em organizações criminosas sem escrúpulos, precisamos de abrir canais humanitários acessíveis e seguros".

PROVEDOR DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DO PORTO