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Opinião

Três perguntas muito simples

Três perguntas muito simples

A Europa dos nossos dias encontra-se confrontada com uma crise que tem várias dimensões, cada uma delas a mais complexa. Para além da crise financeira e económica que está longe de estar resolvida, existe uma grave crise social e, mais recentemente, o velho continente encontra-se face a uma crise humanitária de gigantescas proporções.

Pensar numa estratégia nacional sem atender ao que se passa na Europa para além de miopia é um erro crasso.

O quadro geral pode ser descrito do seguinte modo. Em primeiro lugar, se a riqueza a nível planetário e europeu tem subido as desigualdades também têm aumentado, nomeadamente devido ao aumento do desemprego e ao crescimento dos impostos que se tem verificado para acudir aos problemas decorrentes dos défices públicos. Com esta evolução, a importância da classe média tem sido enfraquecida. Ora, sem uma classe média forte é muito difícil que possam ser atingidos níveis de crescimento significativos, que aumente o investimento, que diminua o desemprego, que exista confiança e que possa vir a ser reforçada a coesão social. Pergunta: O que é que deve ser feito para aumentar o poder das classes médias?

Em segundo lugar, está a acontecer uma grande revolução no mundo das novas tecnologias. Basta constatar que 90% do total da informação disponível foi criada nos últimos dois anos, enquanto o número de pessoas ligadas entre si por meios eletrónicos aumentou de meio bilião para cinco biliões nas últimas duas décadas. A chamada economia digital vai seguramente redefinir a escala de formação das cadeias de valor e das vantagens competitivas. Setores de atividade como o financeiro, aviação, energia e indústria automóvel estão a ser fortemente atingidas por esta rápida transformação mas a questão da digitalização das sociedades vai atingir tudo e todos. Pergunta: o que é que deve ser feito para tirar todas as vantagens desta revolução?

Em terceiro lugar, vivemos um conjunto de três circunstâncias extraordinárias muito positivas que envolvem a nossa economia. Primeiro, uma desvalorização da moeda que regressou aos valores de 2003; segundo, o preço do petróleo baixou mais de 40%; terceiro, a taxa de juro está em valores até aqui desconhecidos. Esta situação não se vai prolongar eternamente. O aumento desejável do crescimento do investimento é assim uma questão da maior urgência, precisamente para tirar partido das circunstâncias excecionais que se vivem no presente. Pergunta: o que é que deve ser feito já, e em força, para não perder esta grande e irrepetível oportunidade?

*CONSELHEIRO DO PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA

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