Opinião

Um mundo de incertezas

Um mundo de incertezas

Os acontecimentos recentes mostram que vivemos num momento de grande instabilidade geopolítica.

O renascimento dos nacionalismos, frequentemente associados a movimentos populistas alimentados pelas fake news largamente difundidas nas redes sociais, tem provocado uma incerteza crescente na capacidade de as sociedades democráticas resistirem e ultrapassarem os obstáculos que lhes são criados.

A capacidade de crescente afirmação dos movimentos populistas não radica apenas nas fake news e nas redes sociais. Suporta-se numa sociedade que assiste a um aumento das desigualdades, constatando-se o crescimento do fosso entre os mais pobres e os mais ricos, com estes a assumirem uma percentagem crescente da riqueza mundial e alimenta-se nos aspetos menos conseguidos da globalização, com a deslocação da produção para os países menos desenvolvidos. Acrescem as migrações, nomeadamente em resultado de conflitos regionais (com particular importância na Europa) e da tentativa de fugir à pobreza extrema.

Saliente-se, ainda, o crescente aumento da automação que terá impactos profundos no mercado do trabalho. Estudos apontam para que 50% das horas de trabalho em Portugal são suscetíveis de ser substituídas por processos automatizados, com particular impacto na produção fabril e no comércio.

Importa focar as preocupações dos decisores políticos na minimização ou resolução dos problemas referidos, sob pena de, se assim não acontecer, continuarmos a assistir a uma degradação da qualidade das democracias, com impactos imprevisíveis no futuro das sociedades.

É inegável que a Educação tem um papel cada vez mais crucial para o futuro da democracia e das sociedades, permitindo aumentar os níveis de literacia e a capacidade de absorver, processar informação e sobre ela gerar um pensamento crítico. Só assim é possível fornecer aos cidadãos ferramentas para combater as fake news, reduzir a desigualdade e criar os empregos que possibilitarão absorver sem dramas a automação resultante da quarta revolução industrial. Por isso, o investimento na Educação, em geral, e no Ensino Superior, em particular, são tão importantes.

*PRESIDENTE DO POLITÉCNICO DO PORTO

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