Opinião

Visão sovietizante do Ensino Superior

Visão sovietizante do Ensino Superior

Com o início do ano académico, voltaram a fazer-se ouvir as vozes que, recorrentemente, defendem que a formação no Ensino Superior se deve centrar em áreas em que o país é deficitário.

Argumentam que é dispendiosa uma oferta de cursos alargada e que, em determinadas áreas, não se vislumbra uma utilidade para o país ou para os próprios formandos.

Trata-se de uma visão sovietizante do Ensino Superior. Faz lembrar os planos quinquenais de Estaline, em que tudo era programado com um rigor quase científico. Ora, esta planificação não deu bons resultados porque o suposto interesse da sociedade inelutavelmente se sobrepunha ao interesse pessoal, por mais legítimo que este fosse.

Uma visão moderna do Ensino Superior preconiza, pelo contrário, a criação de condições para que os jovens possam desenvolver o seu potencial intelectual em igualdade de circunstâncias. Uma sociedade centrada nas pessoas, como devem ser as sociedades do século XXI, não pode sujeitar-se a qualquer tipo de planeamento social. Tem, sim, de estar preocupada com o bem-estar individual. Aliás, a História ensina-nos que foram justamente os países que perfilharam esta visão, já no final do século XIX, quem mais se desenvolveu e mais garantias dá aos seus cidadãos de realização e satisfação pessoal.

É estranho que sejam indivíduos pretensamente liberais a defender modelos socializantes para o Ensino Superior. Mas o paradoxo pode explicar-se pela serventia a interesses corporativos, que ademais só contribuem para o atraso do país.

Importa, pois, contrariar esta mentalidade que encara as pessoas como peças de uma máquina (que, ainda para mais, frequentemente trabalha mal), e não como cidadãos dotados de liberdade individual e direitos fundamentais, designadamente de acesso à educação.

Reitor da Universidade do Porto